EUA aplicam teste de polígrafo nas Forças Armadas após vazamentos
O Pentágono investiga vazamentos de informações classificadas sobre estoques de munições. Cerca de 50 militares e civis passaram por testes de polígrafo, medida considerada incomum. A baixa nos estoques preocupa autoridades e irritou o presidente Donald Trump.

O Pentágono submeteu cerca de 50 integrantes do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos a testes de polígrafo durante uma investigação sobre vazamentos de informações para jornalistas. A revelação foi feita pelo jornal The New York Times nesta sexta-feira (4).
De acordo com a reportagem, militares e funcionários civis foram questionados sobre o possível repasse de informações classificadas à imprensa. Os investigadores também perguntaram se eles haviam divulgado dados sobre a baixa nos estoques de munições dos Estados Unidos.
Investigação busca identificar responsáveis por vazamentos
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que a investigação busca identificar quem teria fornecido aos jornalistas informações consideradas sigilosas sobre a situação dos estoques de munições. O New York Times informou que os testes representam uma medida incomum dentro do Pentágono.
De acordo com o jornal, o Estado-Maior Conjunto dos EUA reúne entre 1.500 e 2 mil militares e funcionários civis. A aplicação do polígrafo em um grupo tão amplo sinaliza a gravidade com que o Departamento de Defesa trata o caso.
Porta-voz do Pentágono evita comentar
Procurado pelo jornal, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o Departamento de Defesa não comenta questões internas relacionadas a funcionários ou investigações. A resposta padrão não esclarece os detalhes da apuração nem o andamento dos trabalhos.
A falta de informações oficiais mantém em aberto o alcance da investigação e as possíveis consequências para os envolvidos. O sigilo em torno do caso é comum em apurações internas de segurança nacional.
Estoques de munições geram preocupação
Os Estados Unidos usaram uma parcela significativa de mísseis empregados em operações de ataque e defesa, de acordo com informações obtidas pela agência Reuters e um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) publicados em agosto.
A redução nos estoques levantou preocupações sobre a capacidade de resposta do país em possíveis conflitos futuros. Segundo a Reuters, os EUA utilizaram “praticamente todo” o estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra contra o Irã.
Presidente irritado com números
Segundo o jornal The Washington Post, a baixa nos estoques irritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que cobrou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, pelos números. Fontes disseram ao jornal que o presidente teria se sentido enganado ao conhecer a situação real dos estoques.
A insatisfação presidencial adiciona pressão política sobre o Pentágono, que já enfrenta questionamentos sobre a prontidão militar do país. O desgaste pode influenciar decisões futuras sobre orçamento e prioridades de defesa.
Especialista aponta vulnerabilidade estratégica
Em entrevista ao g1 em agosto, Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, mestre em Ciências Militares, explicou que a redução pode representar um problema para os Estados Unidos, principalmente em relação aos mísseis interceptadores, responsáveis por repelir ataques.
“Essa é uma capacidade fundamental, porque esses mísseis são os únicos capazes de interceptar mísseis balísticos; por isso, trata-se de uma vulnerabilidade bastante grande”, disse. A declaração reforça o impacto estratégico da escassez de armamentos.
O caso segue em investigação, e novas informações podem surgir à medida que o Pentágono avança nas apurações. Acompanhe o Boca no Trombone para atualizações sobre o tema.
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