A família de Deivison Andrade de Lima, jovem que morreu nesta segunda-feira (26) no Hospital Regional de Ponta Grossa, afirma acreditar que ele tenha sido confundido com o autor do crime que vitimou Keli Cristina Ferreira de Quadros, de 42 anos, encontrada sem vida no dia 16 de janeiro na região do Sabará. A informação consta no boletim de ocorrência registrado no domingo (25) e no relato feito por familiares do rapaz às autoridades. De acordo com os familiares, o jovem estava consciente na segunda-feira e teria afirmado isso para eles.
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Contexto do caso Keli Cristina
Keli Cristina foi encontrada por um morador que passava por um matagal para cortar lenha e percebeu um isopor com marcas de sangue. Ao se aproximar, encontrou o corpo da mulher caído de bruços e acionou imediatamente a Polícia Militar. Ela apresentava sinais de violência e, ao lado do corpo, havia uma pedra que poderia ter sido usada nas agressões. A possibilidade de violência sexual também foi considerada inicialmente, mas somente o laudo necroscópico confirmará a dinâmica do crime.
A descoberta mobilizou equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Científica, que estiveram no local ainda na manhã do dia 16. Três dias depois, em 19 de janeiro, o autor do feminicídio foi identificado e preso após investigações que utilizaram imagens de câmeras de segurança. No interrogatório, o suspeito confessou o crime e indicou onde havia escondido objetos usados na ação.
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Agressão contra Deivison
Segundo o boletim de ocorrência registrado pela família, Deivison teria sido espancado no dia 18 de janeiro, dois dias após o corpo de Keli ser encontrado. A mãe relatou que, de acordo com a vítima, ele havia sido abordado por três homens, supostamente familiares da vítima do Sabará, que teriam levado o jovem até um local isolado e iniciado as agressões.
Ainda conforme o documento, durante o espancamento, um dos envolvidos teria dito a frase: “Vamos fazer com você o que você fez com a Keli”.
A família acredita que o jovem tenha sido confundido com o verdadeiro autor — já preso desde o dia 19.
Quadro clínico e morte
Deivison deu entrada inicialmente na UPA Uvaranas na madrugada do dia 18, com ferimentos graves decorrentes do espancamento. Diante da gravidade, ele foi transferido ao Hospital Regional de Ponta Grossa, onde permaneceu internado em estado crítico.
Os profissionais de saúde informaram à família que o rapaz apresentava múltiplas lesões e quadro de infecção generalizada. Na atualização médica do dia 25, a equipe já alertava para as poucas chances de sobrevivência.
Na manhã desta segunda-feira (26), Deivison não resistiu aos ferimentos e morreu.
Investigação passa a tratar caso como crime com resultado morte
O caso, inicialmente registrado como lesão corporal, passa agora a ser investigado como crime com resultado morte. A Polícia Civil deverá esclarecer:
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Quem são os autores do espancamento;
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Se há relação direta entre os agressores e a vítima Keli Cristina;
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Onde exatamente a violência contra Deivison ocorreu;
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Se a hipótese de confusão motivou o ataque.
Até o momento, nenhum suspeito foi formalmente identificado pela família, que diz não saber quem seriam os responsáveis.
A Polícia Civil segue com as diligências para apurar todas as circunstâncias do caso.


















