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Política

Flávio Bolsonaro e Trump: afinidade, mas distância

O senador Flávio Bolsonaro (PL) mantém afinidade ideológica com Donald Trump, mas o contato pessoal é limitado. Apesar de encontros e elogios, Trump evitou apoiá-lo publicamente nas eleições brasileiras.

Flávio Bolsonaro e Trump: afinidade, mas distância
Flávio Bolsonaro e Donald Trump — Foto: Pablo Porciuncula/AFP; Jonathan Ernst/Reuters
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos na quarta-feira (29), mantém uma relação de afinidade política com o presidente americano Donald Trump, mas com contato pessoal ainda restrito. Os dois se encontraram presencialmente apenas uma vez, e Trump evitou declarar apoio público ao brasileiro durante a campanha eleitoral. A fuga do parlamentar reacendeu o debate sobre os laços entre os dois políticos.

Trump evita endossar Flávio Bolsonaro

Nos últimos dias, Trump foi questionado sobre o resultado das eleições no Brasil e sobre a ida de Flávio aos Estados Unidos. O presidente americano classificou o pleito como “muito estranho” e “terrível”, mas não ofereceu apoio direto ao senador do PL. Na quarta (28), ao ser perguntado sobre a carta em que Flávio se declara “líder do Brasil”, Trump afirmou “não querer se envolver”.

No dia seguinte, o republicano declarou que não tomou partido nas eleições brasileiras a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a campanha, Trump também evitou manifestar apoio explícito a Flávio. Após o primeiro turno, no início de outubro, limitou-se a dizer que o brasileiro teve um resultado apertado, mas impressionante.

Afinidade ideológica marca a relação

Apesar da ausência de declarações contundentes, Trump foi figura recorrente na campanha de Flávio. Em manifestação na Avenida Paulista no domingo (18), apoiadores levaram um míssil inflável gigante com a mensagem em inglês “Trump nuke Brazil”, que significa “Trump, faça um ataque nuclear no Brasil”. O gesto simboliza a expectativa de parte da base bolsonarista em relação ao líder americano.

Flávio, inclusive, defendeu medidas de Washington contra autoridades brasileiras antes de se reunir pessoalmente com Trump na Casa Branca, em maio de 2026. O encontro ocorreu em meio à pré-campanha do senador e à crise política envolvendo suspeitas em torno do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se a produção recebeu recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Encontro na Casa Branca e pedidos

Na ocasião, Flávio afirmou ter solicitado ao governo norte-americano a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo o senador, os dois conversaram sobre o processo contra seu pai, tarifas comerciais, combate ao crime organizado e cooperação na exploração de minerais críticos. Trump também perguntou sobre a situação do ex-presidente brasileiro, conforme relato do parlamentar.

No dia seguinte, Flávio voltou à Casa Branca e se reuniu com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. O senador disse ter discutido liberdade de expressão, segurança pública e relações comerciais entre os dois países. Dias depois, em junho, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, medida solicitada por Flávio.

Classificação gera polêmica no Brasil

Washington justificou a decisão afirmando que as facções têm atuação transnacional e promovem ataques violentos. O governo brasileiro manifestou oposição, alegando riscos à soberania nacional. A classificação permite bloqueio de ativos, proibição de transações financeiras e responsabilização criminal de quem apoiar materialmente os grupos, mas vale apenas nos Estados Unidos e não altera a legislação brasileira.

O promotor do MP-SP Lincoln Gakiya, que combate o crime organizado desde 2005, criticou a medida na época. Segundo ele, a classificação “vai causar problemas” ao Brasil. Durante o debate presidencial da Band, Flávio disse que tomaria a mesma atitude se fosse eleito e que recuperaria “cada território” tomado pelas facções. Ele também defendeu a adesão do Brasil ao “Escudo das Américas”, iniciativa de cooperação em segurança promovida pelos EUA contra o narcotráfico.

Tarifas e elogios de Trump

Em junho, horas após o governo dos EUA anunciar um novo tarifaço contra o Brasil, Trump divulgou uma foto do encontro no Salão Oval com Flávio, a quem chamou de “jovem inteligente” que ama o Brasil. No mês seguinte, os Estados Unidos confirmaram novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação comercial. A medida ampliou as tensões entre os dois países.

Flávio então enviou uma carta a Marco Rubio pedindo que as taxas não fossem aplicadas até que ele fosse eleito. A relação entre o senador e Trump segue marcada por gestos de aproximação, mas sem o endosso político explícito que parte da base bolsonarista esperava. O desfecho dessa dinâmica pode influenciar o cenário político brasileiro nos próximos meses.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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