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Brasil

Gasto com benefícios de um salário mínimo salta de 1,15% para 3,10% do PIB em 27 anos

A necessidade de reforma na previdência é amplamente reconhecida entre economistas e consultores legislativos

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Um novo estudo elaborado por Fabio Giambiagi, economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e reconhecido especialista em Previdência Social, aponta que a despesa com benefícios de um salário mínimo no Brasil teve um aumento expressivo ao longo dos anos, passando de 1,15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1997 para 3,10% em 2024.

Esse crescimento significativo é atribuído, em grande parte, à política de valorização real do salário mínimo implementada durante os mandatos de Lula e Dilma. O estudo, intitulado “A Previdência Social no Brasil: Tendências e Desafios”, enfatiza a relevância fiscal que os reajustes sucessivos do piso salarial têm exercido sobre as contas da Previdência Social. Em 2023, as despesas com o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atende os trabalhadores da iniciativa privada através do INSS, alcançaram 8% do PIB.

O documento destaca três fatores principais que contribuíram para esse aumento: o baixo crescimento econômico nos últimos anos, as regras previdenciárias anteriores à reforma de 2019 que permitiam aposentadorias precoces e o aumento real do salário mínimo, especialmente após a estabilização promovida pelo Plano Real.

Giambiagi observa que, enquanto o salário mínimo era reajustado esporadicamente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, nos governos Lula e Dilma a prática se tornou sistemática. Esta política foi interrompida durante os mandatos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o reajuste foi limitado apenas à inflação. Atualmente, sob o governo Lula 3, a valorização real foi retomada.

Segundo Giambiagi, “o efeito dos aumentos sucessivos do salário mínimo ao longo dos anos foi muito significativo em termos fiscais”. O pesquisador destaca que o aumento acumulado do salário mínimo desde o fim de 1994 chega a 189%, superando os índices de produtividade econômica. Isso impactou diretamente as contas públicas, já que os benefícios de um salário mínimo representavam apenas 33% do total gasto com aposentadorias e pensões no início dos anos 2000; essa proporção subiu para 43% em 2023.

Outro aspecto mencionado é a redução da relação entre o teto do INSS e o salário mínimo. As reformas constitucionais de 1998 e 2003 estabeleceram tetos equivalentes a dez salários mínimos da época. Com os constantes aumentos reais do piso salarial, o teto atual, fixado em R$ 8.157,41, agora corresponde a pouco mais de cinco salários mínimos.

Esses dados sugerem a necessidade urgente de uma reavaliação da política de reajuste real do salário mínimo. Giambiagi ressalta que não é sustentável esperar aumentos reais indefinidos para aposentados. Ele sugere que uma nova discussão sobre reformas previdenciárias ocorra em 2027, ano que marca o início do próximo mandato presidencial.

O estudo também não considera os impactos que os aumentos reais têm sobre outros benefícios sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e seguro-desemprego, ampliando ainda mais a pressão sobre as finanças públicas.

Entre as propostas discutidas por especialistas estão a indexação do salário mínimo apenas à inflação medida pelo INPC e a desvinculação do BPC do salário mínimo. Economistas acreditam que essa revisão é crucial para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário brasileiro no longo prazo.

A crescente despesa previdenciária é vista como um reflexo de erros históricos na formulação das políticas previdenciárias e deve ser abordada com urgência pelo governo atual. Para especialistas como Luís Eduardo Afonso da USP e Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS, a combinação entre aumento contínuo dos benefícios e o envelhecimento populacional apresenta desafios significativos que exigem uma análise cuidadosa.

A necessidade de reforma na previdência é amplamente reconhecida entre economistas e consultores legislativos. Eles alertam que sem ajustes na política de valorização real e na desvinculação dos benefícios assistenciais das variações do salário mínimo, será impossível garantir a viabilidade financeira do sistema previdenciário brasileiro nos próximos anos.

O Ministério da Previdência Social foi procurado para comentar sobre as conclusões apresentadas no estudo mas não forneceu retorno até o momento.

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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