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Política

Governo quer expor aliados de Flávio em debate sobre fim da escala 6×1

O Senado iniciou nesta terça-feira (6) a discussão da PEC que propõe o fim da escala 6×1. Governistas pretendem usar o debate para expor o posicionamento de aliados do senador Flávio Bolsonaro, contrários à medida. A oposição planeja obstruir a sessão para evitar a votação.

Governo quer expor aliados de Flávio em debate sobre fim da escala 6x1
Protesto pelo fim da escala 6×1 na Avenida Paulista — Foto: Henrique Silva/TV Globo
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O Senado deu início nesta terça-feira (6) à primeira de cinco sessões de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em setembro, agora enfrenta resistência da oposição, que planeja obstruir os trabalhos para evitar a votação. Governistas, por sua vez, querem usar o debate para expor o posicionamento de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já sinalizaram ser contrários à proposta.

A sessão desta terça é a primeira de um total de cinco necessárias antes da votação em plenário. Segundo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo, há acordo por parte do governo para votar, mas “precisa saber do candidato a presidente Flávio”. A declaração foi dada ao chegar ao Senado, reforçando a estratégia governista de vincular a pauta ao posicionamento do senador, que disputa a Presidência da República.

Estratégia governista para expor oposição

O senador Jaques Wagner afirmou que veio ao plenário porque percebeu que “o pessoal da oposição, ou seja, os torcedores do candidato Flávio Bolsonaro, não estão dando presença na tentativa de inviabilizar o debate do fim do trabalho aos sábados”. Para ele, “o candidato terá que mostrar a cara e dizer que é contra”. A fala resume a tática do governo: forçar os adversários a se posicionarem publicamente sobre um tema de apelo popular.

Quando a PEC passou pela CCJ, aliados de Flávio Bolsonaro, como o coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), se posicionaram duramente contra a medida. Desde então, governistas têm dito que a proposta foi barrada pela oposição no Senado. O próprio presidente Lula chegou a afirmar isso algumas vezes durante a campanha eleitoral.

Compromisso de Alcolumbre e expectativa de votação

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se comprometeu a votar a proposta antes do segundo turno das eleições. A expectativa é que o próprio Alcolumbre presida a sessão, gesto visto como um aceno ao governo. A PEC é considerada uma “bala de prata” para a campanha de Lula, por seu potencial de atrair eleitores.

No entanto, há dúvidas sobre a real disposição política para votá-la. Passada a eleição dos parlamentares, a pressão das urnas deixa de ser um fator que estimule os senadores a aprovarem uma proposta popular. Além disso, o resultado eleitoral de domingo já aponta para uma mudança na correlação de forças na Casa, com uma direita muito mais fortalecida no Senado.

Cenário desafiador e obstrução da oposição

Senadores da base governista ouvidos pela reportagem admitem que o cenário é desafiador e não garantem que a votação será possível. “Vamos tentar”, resumiu a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). O governo conta com sinalizações positivas de Davi Alcolumbre, cujos aliados afirmam que a PEC será “prioritária” e que ele seguirá o rito prometido ao governo.

Nos últimos anos, a relação do presidente do Senado com senadores da direita se desgastou, com críticas abertas de bolsonaristas à gestão de Alcolumbre, principalmente em relação à crise com o Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, senadores da oposição chamam a PEC de “medida eleitoreira” e querem evitar sua votação. Uma das orientações nesta terça-feira é obstruir a sessão, ou seja, não dar quórum para que ela aconteça.

Presença baixa e proposta alternativa

Faltando 34 minutos para o início da sessão, apenas 30 senadores haviam registrado presença. Grande parte dos ausentes é da oposição, o que reforça a estratégia de obstrução. Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a PEC do governo e, mais uma vez, defendeu a proposta alternativa apresentada por Rogério Marinho.

O texto da oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, com redução proporcional do salário, após acordo com o empregador. A proposta alternativa é criticada por sindicatos e movimentos trabalhistas, que a consideram uma forma de precarizar as relações de trabalho. A fonte não detalhou se haverá votação da proposta alternativa nesta sessão.

O desfecho da discussão sobre o fim da escala 6×1 permanece incerto. O governo aposta na pressão popular e no compromisso de Alcolumbre, enquanto a oposição tenta adiar a votação. Acompanhe a cobertura completa no Boca no Trombone para os próximos capítulos dessa disputa no Senado.

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