Governo Federal autoriza pista maior para jatos no Aeroporto de Ponta Grossa
Diretriz enviada à Anac prevê 150 metros adicionais e estrutura para o Embraer E195-E2 operar em rota de referência para São Paulo

EXCLUSIVO – O Ministério de Portos e Aeroportos solicitou que a ampliação da pista do Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa, seja incluída na modelagem da futura concessão do terminal. A diretriz prevê o prolongamento de aproximadamente 150 metros pela Cabeceira 26, além de outras adequações necessárias para a operação do jato Embraer E195-E2.

A determinação consta no Ofício nº 983/2026, assinado nesta quarta-feira (19) pelo secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo. O documento foi encaminhado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com cópia para a Inframerica, atual concessionária do Aeroporto Internacional de Brasília. O aeroporto de Ponta Grossa integra o grupo de dez terminais regionais que deverão ser incorporados ao contrato repactuado do aeroporto da capital federal.
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Pista terá cerca de 1.430 metros disponíveis
Segundo o Ministério, os estudos técnicos apontaram a necessidade de aproximadamente 1.430 metros de TORA — distância efetivamente disponível para a corrida de decolagem — para que o E195-E2 opere sem restrições significativas de peso, considerando uma rota de referência entre Ponta Grossa e São Paulo.
Para alcançar essa condição pelas duas cabeceiras, o Governo Federal orientou que a modelagem contemple:
- ampliação da pista em aproximadamente 150 metros pela Cabeceira 26;
- implantação de uma área de giro para as aeronaves;
- pavimento com capacidade compatível com a pista existente;
- demais adequações técnicas e regulatórias necessárias.
O documento também cita as limitações físicas existentes no aeroporto e afirma que a solução precisa ser compatibilizada com as obras já realizadas ou em andamento no terminal, no pátio de aeronaves e na pista de taxiamento.
A Embraer participou da consulta pública e apresentou informações técnicas que, conforme o Ministério, reforçaram a viabilidade da operação do E195-E2 nessas condições. Isso, entretanto, não representa o anúncio de uma nova linha aérea entre Ponta Grossa e São Paulo: a capital paulista foi utilizada como referência nos cálculos operacionais.
Pedido foi acolhido parcialmente
A ampliação não estava prevista inicialmente na proposta submetida à consulta pública. A situação provocou uma mobilização de representantes de Ponta Grossa, que defenderam a inclusão obrigatória da obra no contrato da futura concessionária.
A Prefeitura havia alertado que manter a pista com as condições atuais impediria o aproveitamento integral dos investimentos previstos para o aeroporto. Na proposta original, estavam estimados R$ 101,5 milhões em infraestrutura para o Sant’Ana. O Ministério informou que as contribuições relacionadas a Ponta Grossa devem ser acolhidas parcialmente.
O custo da ampliação será considerado um investimento adicional e deverá ser incorporado ao modelo econômico-financeiro da concessão. O ofício não apresenta o novo valor nem estabelece um cronograma específico para a obra. A Consulta Pública nº 10/2026 foi encerrada em 7 de agosto. Agora, cabe à Anac consolidar as contribuições e atualizar os documentos jurídicos e técnicos antes do procedimento competitivo que definirá a futura concessionária.
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