História de casal que recomeçou em PG ganha palco na pré-estreia do Fenata
Espetáculo “O Sol Ainda Brilha” terá duas apresentações gratuitas neste domingo (1º), no Sesc Estação Saudade
Uma história real de sobrevivência à guerra, imigração e recomeço em Ponta Grossa será levada ao palco neste domingo (1º de novembro). O espetáculo “O Sol Ainda Brilha” terá apresentações gratuitas às 15h e às 17h, no Sesc Estação Saudade. A segunda sessão integra a pré-estreia da 54ª edição do Festival Nacional de Teatro (Fenata).
A montagem conta a trajetória de um casal que deixou a Europa após a Segunda Guerra Mundial e construiu uma nova vida em Ponta Grossa. Ele, de origem judaica, perdeu a família no Holocausto. Ela atuou como enfermeira durante o conflito. Os dois se conheceram no pós-guerra e chegaram ao Brasil trazendo quatro malas, uma delas apenas com livros.
Em entrevista ao BnT News, o autor e coordenador da montagem, Daniel, revelou a ligação pessoal com o enredo: os protagonistas são seus pais. “Quando eu falo a história de um homem e de uma mulher, é a história do meu pai e da minha mãe”, contou.
A proposta, segundo ele, é preservar a memória do casal e mostrar como pessoas marcadas pela violência e pela perda conseguiram reconstruir a própria trajetória. Em Ponta Grossa, os dois abriram uma pequena loja, criaram vínculos com moradores e formaram uma família.
O conhecimento de idiomas também ajudou na aproximação com imigrantes de outras cidades dos Campos Gerais, como Castro e Carambeí. Conforme o relato de Daniel, a mãe falava sete línguas e o pai, seis.
Memórias da família em cena
A montagem reúne alunos de um curso de teatro ligado à Pró-Reitoria de Extensão e ao Centro de Arte e Cultura da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O elenco é formado por atores iniciantes, incluindo adolescentes de 15 anos, com ensaios semanais de uma hora e meia.
A concepção musical é de Sabrina Carneiro e inclui uma canção de origem judaica que o pai de Daniel costumava cantar. Objetos preservados pela família, como o primeiro sapatinho e peças de roupa usadas pelo autor quando bebê, também integram a proposta do espetáculo.
“É um espetáculo que, ao mesmo tempo, tem um lado lúdico, tem um lado de memória, tem um lado de saudade, mas tem um lado de mostrar que o sol ainda brilha”, afirmou. Para Daniel, levar essa história ao público também ajuda a manter viva a memória do Holocausto e a estimular a reflexão sobre o presente.
A sessão das 17h terá ainda a apresentação de informações sobre a programação do Fenata. Segundo o entrevistado, o festival será realizado de 13 a 17 de novembro, com atividades em diferentes espaços da cidade.
























