Dois manifestantes executados em praça pública no Irã
O Irã executou dois manifestantes em praça pública nesta terça-feira (28). Eles foram condenados por atacar policiais durante protestos contra o governo. O país ocupa a segunda posição mundial em execuções, atrás da China, segundo a Anistia Internacional.

O governo do Irã executou dois manifestantes em uma praça pública nesta terça-feira (28). A informação foi confirmada pela Justiça iraniana, que anunciou o enforcamento dos dois homens. Ambos haviam sido condenados por atacar policiais durante protestos contra o governo, de acordo com as autoridades.
Anúncio e ausência de detalhes
O comunicado oficial foi emitido às 08h49 do dia 28 de julho de 2026. A nota não revelou os nomes dos executados, tampouco a cidade ou o local exato da praça onde o enforcamento ocorreu. A única confirmação é de que a pena capital foi aplicada em um espaço público, o que sugere a tentativa do regime de expor o castigo como forma de intimidação.
As execuções públicas são uma prática relativamente comum no Irã para crimes considerados graves pelo sistema judicial. Embora condenadas por organismos internacionais, as autoridades iranianas mantêm essa modalidade como demonstração de força estatal. A fonte não informou se houve presença de testemunhas civis durante o cumprimento da sentença. O enforcamento é o método de execução mais utilizado no país.
Acusações relacionadas a protestos
Segundo a Justiça iraniana, os dois homens foram condenados por terem atacado policiais em meio a protestos antigoverno. O processo, que culminou na pena de morte, transcorreu de forma reservada, sem divulgação de evidências ou audiências acessíveis ao público. A lei penal do Irã prevê punições severas para crimes que envolvam desordem pública, com penas que vão desde longas prisões até a execução.
Não se sabe ao certo quando ou onde ocorreram os ataques. A fonte também não esclareceu qual foi o enquadramento legal exato do caso, mas é comum que acusações contra manifestantes sejam classificadas como “moharebeh” (guerra contra Deus) ou “corrupção na terra”, tipos penais que preveem a pena capital. A falta de transparência em julgamentos políticos é uma crítica constante de entidades de direitos humanos.
Especialistas apontam que julgamentos de manifestantes no Irã frequentemente carecem de imparcialidade. Os réus são muitas vezes mantidos incomunicáveis e pressionados a confessar. A fonte não detalhou se houve confissão nesse caso específico, mas a rapidez na execução sugere que o processo foi sumário.
O segundo país que mais executa
Segundo a Anistia Internacional, o Irã é o segundo país que mais executa pessoas, depois da China. A entidade não forneceu dados específicos para 2026, mas a liderança contínua no ranking reflete a aplicação sistemática da pena capital no país. A prática abrange crimes variados e é alvo de críticas globais.
A pena de morte no Irã é aplicada tanto para crimes violentos quanto para delitos não letais, como tráfico de drogas e “inimizade com Deus”. Organizações internacionais pedem reiteradamente a abolição da prática, mas o governo iraniano a defende como parte da lei islâmica. A execução pública de manifestantes reforça a imagem de um sistema judicial que não hesita em usar a força máxima contra dissidentes.
Contexto de repressão estatal
O Irã tem um histórico de reprimir protestos com medidas extremas. Nos últimos anos, manifestações por direitos civis, liberdade política e melhorias econômicas foram duramente sufocadas pelas forças de segurança. Centenas de pessoas foram mortas e milhares presas durante esses levantes. Os que são levados a julgamento raramente têm acesso a advogados independentes ou a um processo justo, resultando em condenações que vão de prisões perpétuas a execuções.
A execução dos dois manifestantes se soma a dezenas de outras sentenças de morte aplicadas a opositores políticos no país. A fonte não detalhou se as famílias dos condenados foram avisadas antes da execução. Em casos similares, parentes relataram terem conhecimento do ocorrido apenas após a divulgação pela imprensa estatal, o que aumenta a angústia e a sensação de arbitrariedade. A comunidade internacional costuma reagir com condenações, mas raramente há medidas práticas. O país permanece isolado diplomaticamente, e as execuções continuam sendo uma marca da severidade do regime de Teerã.























