Lula pediu inelegibilidade de Bolsonaro em 2022 após aumento do Bolsa Família às vésperas da eleição
Quatro anos após questionar aumento de benefícios sociais durante período eleitoral, governo anuncia reajuste de 15,04% no programa às vésperas das eleições

O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a gerar debate político. A medida, que aumenta o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691, foi anunciada a poucos dias das eleições de 2026 e trouxe de volta uma discussão envolvendo o uso de programas sociais em períodos eleitorais.
Em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) disputava a reeleição, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra medidas adotadas pelo então governo envolvendo o Auxílio Brasil, programa que substituía o Bolsa Família naquele período. A ação pedia investigação por suposto abuso de poder político e econômico e questionava o aumento do benefício próximo ao pleito.
Naquele ano, o Auxílio Brasil teve o valor elevado de R$ 400 para R$ 600, com a aprovação de medidas que ampliaram benefícios sociais durante o período eleitoral. Segundo informações da época, também houve a inclusão de novos beneficiários no programa.
Novo reajuste será pago em outubro
Em 2026, o governo Lula anunciou uma atualização de 15,04% no Bolsa Família, justificando que o aumento representa uma recomposição da inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
Com a mudança, o benefício mínimo passa para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de aproximadamente R$ 675 para R$ 777. Os pagamentos com os novos valores começam na folha de outubro, a partir do dia 19.
Momento do anúncio gera reação
O calendário do reajuste passou a ser alvo de críticas de adversários políticos, que questionam o anúncio próximo ao período eleitoral. O governo, por outro lado, afirma que a medida apenas recompõe perdas inflacionárias e segue as regras fiscais e legais.
O debate reacende uma discussão que marcou a eleição de 2022: até que ponto alterações em programas de transferência de renda durante períodos eleitorais podem influenciar a disputa política.
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