Lula responde a Trump durante cúpula do Brics: Soberania brasileira em foco
Lula responde a Trump sobre apoio a Bolsonaro, reafirmando soberania brasileira e rejeitando interferências externas nas questões internas do Brasil.

Na última terça-feira, durante a coletiva de encerramento da reunião do Brics, realizada no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem clara ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi uma resposta a uma postagem recente de Trump nas redes sociais, na qual ele expressou apoio ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Lula foi incisivo em sua resposta: “Dê palpite na sua vida, não na nossa”.
A posição do presidente brasileiro contrasta com sua recente visita à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após condenação por corrupção. Essa visita foi interpretada pelo governo de Javier Milei como uma intervenção nas questões internas da Argentina, algo que Lula negou, mas que suscita questionamentos sobre o papel do Brasil na política regional.
Assessores do governo Lula veem as declarações de Trump como um sinal da preocupação dos Estados Unidos com os debates que ocorreram na cúpula do Brics. Entre os temas abordados estava a possibilidade de o bloco adotar moedas locais em transações comerciais, diminuindo a dependência do dólar.
Na primeira postagem feita por Trump em sua plataforma Truth Social, ele ameaçou taxar as exportações dos países do Brics em 10%, caso eles não seguissem os interesses americanos. Horas depois, ele voltou a atacar o Judiciário brasileiro e expressou apoio a Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente está sendo perseguido injustamente.
“O Brasil está fazendo uma coisa terrível no tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu Trump. Ele ainda elogiou Bolsonaro como um “negociador muito duro” e comparou sua situação à de outros opositores políticos perseguidos em diversas partes do mundo.
Lula utilizou suas redes sociais para reiterar a soberania brasileira e defendeu que as questões democráticas no Brasil devem ser resolvidas pelos próprios brasileiros. Ele destacou: “Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja” e enfatizou a robustez das instituições brasileiras.
Durante a coletiva, Lula reafirmou seu desagrado com a postura de Trump: “Um presidente dos Estados Unidos ameaçar o mundo através da Internet é irresponsável. Nós somos países soberanos e devemos ser respeitados”. Ele também se negou a comentar sobre a defesa de Bolsonaro feita por Trump, enfatizando que há questões mais importantes para serem discutidas.
Ministros do governo Lula também se manifestaram contra as declarações de Trump nas redes sociais. Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou que Trump estava “equivocado” ao acreditar que poderia influenciar o sistema judiciário brasileiro e pediu respeito pela soberania nacional.
Por outro lado, Jair Bolsonaro expressou gratidão pelo apoio recebido de Trump em sua conta no X (antigo Twitter), chamando as acusações contra ele de uma “aberração jurídica” e destacando que sua luta pela liberdade ressoa globalmente.
A postagem de Trump gerou reações entre bolsonaristas no Brasil. Eduardo Bolsonaro celebrou o apoio e previu novas manifestações do ex-presidente americano em breve. Outros líderes políticos também se manifestaram em apoio a Bolsonaro, reforçando a ideia de que ele é alvo de perseguições políticas.
A repercussão internacional das declarações de Trump foi significativa, com veículos como Reuters e The Guardian cobrindo amplamente a situação e destacando o pedido do ex-presidente americano para que as autoridades brasileiras “deixem Bolsonaro em paz”. Essa dinâmica entre os dois líderes evidencia um panorama tenso nas relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no contexto político atual.
Leia também Suspensão: Alep adia votação sobre defesa do deputado Renato Freitas até agosto























