Mais de 670 mil lares chefiados por mulheres deixam a fome
O estudo também revela que 61,4% dos lares chefiados por mulheres que alcançaram segurança alimentar tinham como responsável uma mulher preta ou parda

Entre 2023 e 2024, o Brasil registrou queda significativa na insegurança alimentar em lares beneficiados pelo Bolsa Família, especialmente aqueles chefiados por mulheres. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado no Rio de Janeiro, 71% dos domicílios que alcançaram segurança alimentar tinham uma mulher como responsável.
Em 2023, 9,6% dos lares chefiados por mulheres enfrentavam insegurança alimentar grave. No ano seguinte, esse índice caiu para 7,2%. Entre os domicílios chefiados por homens, a redução foi de 8,6% para 6,8%. No total, 946,6 mil famílias saíram da fome em um ano, sendo quase 670 mil lideradas por mulheres.
A pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, atribui o resultado à forma como as mulheres administram os recursos do programa. “Elas gastam melhor os recursos dentro do lar, especialmente quando há crianças”, afirmou. Estudos mostram que, quando as mulheres controlam a renda, os gastos tendem a priorizar alimentação, saúde, educação e bem-estar infantil.
Bolsa Família e empoderamento feminino
O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, atende famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O benefício base é de R$ 600, podendo aumentar conforme a composição familiar. Em março de 2026, o programa alcançará 18,73 milhões de famílias, com investimento de R$ 12,77 bilhões.
Dados recentes indicam que 84,4% das famílias atendidas têm mulheres como responsáveis. Para Janaína Feijó, isso fortalece o empoderamento feminino e amplia o poder de decisão dentro do lar.
Raça e combate à fome
O estudo também revela que 61,4% dos lares chefiados por mulheres que alcançaram segurança alimentar tinham como responsável uma mulher preta ou parda. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou a importância de a renda chegar diretamente às mãos dessas mulheres, relacionando o combate à fome à luta contra desigualdades raciais. “Não tem como pensar em combate à fome sem pensar em raça. Ninguém estuda de barriga vazia”, afirmou.
Políticas públicas e impacto social
O ministro Wellington Dias ressaltou que a decisão de priorizar mulheres como titulares do benefício foi estratégica. “A pesquisa mostra o efeito extraordinário que isso tem, tanto em relação à saúde, à educação e à renda. Além de tirar da fome, trabalhamos a superação da pobreza”, disse.
O Brasil deixou novamente o Mapa da Fome em 2025, após ter retornado em 2022 com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave. Entre 2023 e 2024, 26,5 milhões de brasileiros deixaram a fome. Sem o Bolsa Família, a segurança alimentar cairia de 53% para 50,2%, e a fome grave subiria de 7,1% para 8,1%. (As informações são da Agência Brasil)
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