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Economia

Ministério da Previdência alerta que avanço da “pejotização” pode levar ao colapso do sistema previdenciário

Governo estima perda anual de R$ 47 bilhões com substituição de contratos formais por modelo de pessoa jurídica; STF debate impactos da prática

Ministério da Previdência alerta que avanço da “pejotização” pode levar ao colapso do sistema previdenciário
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O Ministério da Previdência Social alertou nesta segunda-feira (6) que o avanço da chamada pejotização — contratação de trabalhadores como pessoa jurídica (PJ) — ameaça o modelo de Previdência Social no Brasil.

Durante audiência pública convocada pelo ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal (STF), o secretário-executivo da pasta, Adroaldo da Cunha, afirmou que a prática representa uma “mudança estrutural” com potencial de desmonte do atual sistema previdenciário. “A pejotização é muito mais do que uma reforma da Previdência. É o fim do modelo de Previdência Social do Brasil”, declarou Cunha.

Perdas bilionárias e risco ao pacto social

Segundo dados apresentados pelo ministério, 73% da arrecadação da Previdência é proveniente da folha de pagamento de empregados com carteira assinada. A substituição de apenas 10% desses trabalhadores por prestadores de serviço PJ resultaria em uma perda anual estimada de R$ 47 bilhões aos cofres públicos.

A pejotização tem se expandido como forma de reduzir encargos trabalhistas — como FGTS e contribuição previdenciária —, o que, de acordo com o governo, compromete o financiamento do INSS e a proteção social de milhões de trabalhadores.

“Esse processo desfaz o pacto social da Previdência, que é tripartite — com empregadores, trabalhadores e governo. Com a pejotização, o empregador sai desse arranjo, e o peso recai apenas sobre o Estado e o empregado”, destacou Eduardo da Silva Pereira, diretor do Departamento de Regime Geral da Previdência Social.

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STF discute impacto e possíveis alternativas

A audiência no STF reuniu 78 representantes do governo, da sociedade civil, de sindicatos e do setor empresarial. O objetivo é discutir o impacto da pejotização e possíveis novas formas de financiamento para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário.

O economista Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda de São Paulo, afirmou que o fenômeno é irreversível diante das transformações do mercado de trabalho, mas defendeu ajustes tributários para compensar as perdas.

“As novas relações de trabalho e as tecnologias são irreversíveis. O desafio é criar um novo modelo de arrecadação. Uma alternativa seria uma tributação progressiva sobre pessoas jurídicas, especialmente as uniprofissionais”, sugeriu Salto.

Contexto

A pejotização ocorre quando empresas contratam profissionais como prestadores de serviço (PJ) em vez de empregados formais sob a CLT, reduzindo custos trabalhistas e previdenciários. A prática é considerada fraude trabalhista quando usada para mascarar vínculos de emprego permanentes, segundo a Justiça do Trabalho.

Lincoln Vargas
Autoria
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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