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MPPR aponta omissão de socorro em caso de jovem desaparecido no Pico Paraná

O caso envolve um jovem de 19 anos que ficou cinco dias desaparecido após se perder na trilha de retorno da montanha

MPPR aponta omissão de socorro em caso de jovem desaparecido no Pico Paraná
Reprodução/MPPR
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O Ministério Público do Paraná, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, manifestou-se pelo reconhecimento do crime de omissão de socorro no caso ocorrido na região do Pico Paraná, no início de janeiro. O entendimento do MPPR diverge da conclusão da autoridade policial, que havia decidido pelo arquivamento do inquérito.

O caso envolve um jovem de 19 anos que ficou cinco dias desaparecido após se perder na trilha de retorno da montanha. Segundo os autos, ele e uma amiga subiram o Pico Paraná no dia 31 de dezembro de 2025 para acompanhar o nascer do sol, e o desaparecimento ocorreu durante a descida, em 1º de janeiro. Para o MPPR, o ilícito teria sido cometido pela jovem, que estava com a vítima, mas o deixou para trás em determinado momento.

Após analisar depoimentos e demais elementos do processo, a Promotoria concluiu que, mesmo diante da situação de vulnerabilidade do rapaz e dos riscos envolvidos, a investigada não demonstrou intenção de auxiliar nas buscas, priorizando o próprio bem-estar. A manifestação do Ministério Público aponta que a jovem tinha plena consciência da condição física da vítima — que já havia vomitado e caminhava com dificuldade — e das condições perigosas do local, como terreno íngreme, chuva, frio e neblina, optando, ainda assim, por deixá-lo sem assistência.

O MPPR sustenta que a conduta se reveste de dolo, pois a investigada foi alertada por outros montanhistas sobre os riscos e, mesmo assim, não prestou auxílio nem buscou ajuda imediata.

Enquadramento legal

A infração penal de omissão de socorro está prevista no artigo 135 do Código Penal e se caracteriza pela falta de assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal à pessoa em situação de grave e iminente perigo, ou pela ausência de acionamento das autoridades. A pena máxima prevista é de seis meses de detenção.

Encaminhamento do caso

Diante desse entendimento, a Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul solicitou o envio do processo ao Juizado Especial Criminal da comarca e propôs a realização de transação penal, mecanismo jurídico destinado à solução mais célere de casos dessa natureza.

Propostas de reparação

Com o objetivo de reparar os danos materiais e morais causados à vítima, o MPPR propõe que a transação penal inclua:

  • Pagamento de três salários-mínimos, totalizando R$ 4.863,00, ao jovem;

  • Prestação pecuniária de R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pelas buscas que duraram cinco dias;

  • Prestação de serviços à comunidade por três meses, com carga de cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros do município.

Segundo a Promotoria, as medidas levam em consideração a complexidade da operação de resgate, que mobilizou forças oficiais, além de agentes civis e voluntários durante o período de buscas.

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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