Número de pessoas privadas de liberdade estudando no Paraná quase triplica
Quase um quarto da população carcerária está matriculada no ensino fundamental, médio ou superior; meta é zerar analfabetismo até 2025.

O número de pessoas privadas de liberdade estudando nas unidades prisionais do Paraná quase triplicou desde 2018. Atualmente, 9.556 custodiados estão matriculados em atividades educacionais, o que representa cerca de 23% da população carcerária, que hoje soma 41.382 presos em todo o estado.
Do total de estudantes, 5.617 cursam o ensino fundamental, 3.821 o ensino médio e 118 o ensino superior. O índice de analfabetismo nas prisões também caiu significativamente, atingindo apenas 0,49%. A meta da Polícia Penal do Paraná (PPPR) é erradicar totalmente o analfabetismo nas unidades penais até 2025, por meio do trabalho das equipes regionais de educação e da parceria com instituições de ensino.
Para o secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, a educação é uma das ferramentas mais poderosas no processo de ressocialização. “Recuperar pessoas privadas de liberdade e prepará-las para uma vida longe do crime é uma forma direta de proteger a sociedade e construir um futuro mais seguro para todos”, afirmou.
Guarapuava zera analfabetismo
Um dos destaques desse avanço foi registrado na Regional de Guarapuava, onde a Polícia Penal promoveu uma cerimônia simbólica em junho para marcar a erradicação do analfabetismo entre os custodiados da região. Todos os presos que ainda não sabiam ler ou escrever atingiram a alfabetização. Atualmente, 399 estão no ensino fundamental, 286 no médio e 9 no superior.
A região é atendida integralmente pelo CEEBJA Nova Visão, instituição parceira no projeto educacional. “Esse resultado evidencia nosso compromisso com a educação. Nós temos a ciência da importância do estudo para transformar a vida das pessoas”, afirmou a diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre.
Educação e dignidade
A iniciativa tem impacto direto na autoestima e na esperança de muitos custodiados. Um deles é José (nome fictício), que cumpre pena de 26 anos e 9 meses na unidade industrial de Guarapuava. “Na penitenciária, eu iniciei o primário, fiz o fundamental e concluí o ensino médio. No ano passado fiz o ENEM e agora quero fazer faculdade. Fui o primeiro da minha família a concluir o ensino médio. Fazer uma faculdade vai ser motivo de orgulho para mim e para minha família”, contou.
Estudo também reduz pena
Além de contribuir para a ressocialização, o estudo também garante remição de pena com base na Lei de Execuções Penais (Lei 7.210/1984). A cada 12 horas de frequência escolar, divididas em pelo menos três dias, o detento tem um dia a menos em sua pena.
A expectativa do governo é que, com o fortalecimento da educação no sistema prisional, o Paraná siga como referência nacional na promoção de direitos e na redução da reincidência criminal.
Com supervisão de Marcos Silva.























