O efeito colateral da carta de Bolsonaro, por Gleidson Carlos
A decisão de Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas a Jair Bolsonaro vai muito além de uma medida judicial. Ela revela um problema político para o bolsonarismo. Tudo começou depois que o senador Flávio Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo lendo uma carta escrita pelo pai. Para o Supremo, a manifestação […]

A decisão de Alexandre de Moraes de suspender, por 90 dias, as visitas a Jair Bolsonaro vai muito além de uma medida judicial. Ela revela um problema político para o bolsonarismo.
Tudo começou depois que o senador Flávio Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo lendo uma carta escrita pelo pai. Para o Supremo, a manifestação pode contrariar as restrições impostas ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar e proibido de utilizar as redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
No aspecto jurídico, a decisão segue a lógica das condições impostas pela Justiça. Mas, politicamente, a pergunta é outra: o que Flávio ganhou com isso?
Entre os eleitores mais fiéis do bolsonarismo, provavelmente muito pouco mudou. Essa base continua sólida. O verdadeiro desafio está no eleitor moderado, que procura estabilidade e menos conflitos institucionais.
Ao recolocar Jair Bolsonaro no centro de um novo embate com o Supremo, Flávio acaba alimentando uma crise que pode trazer consequências ao próprio pai, inclusive colocando em risco o benefício da prisão domiciliar.
Em uma pré-campanha presidencial, o objetivo deveria ser ampliar apoios, e não criar novos desgastes. Porque manchetes nem sempre se transformam em votos.
E fica a questão: ao tentar manter Jair Bolsonaro como protagonista, Flávio Bolsonaro fortalece sua candidatura ou cria um novo problema político para a direita?
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