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Ponta Grossa

Operação conjunta revela como imóveis abandonados viraram ‘biqueiras’ do tráfico em PG

O abandono de imóveis por seus proprietários, especialmente em áreas urbanas, não é apenas um problema estético ou de desvalorização imobiliária — trata-se de uma questão de segurança pública

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Igor Rugilo/BnT
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A Décima Terceira Subdivisão Policial (13ª SDP), em parceria com a Guarda Civil Municipal (GCM) de Ponta Grossa, deflagrou na manhã desta terça-feira (1º) uma operação voltada ao combate ao tráfico de drogas. A ação teve como foco imóveis abandonados que, segundo as autoridades, vinham sendo utilizados como pontos de venda de entorpecentes.

Durante a operação, foram apreendidos adolescentes e presos adultos envolvidos com o comércio ilícito. Segundo apurado pelas equipes, esses imóveis — a maioria em avançado estado de deterioração — serviam como base para a atuação criminosa e também abrigavam andarilhos e pessoas em situação de rua.

Além de problemas relacionados à segurança pública, esses imóveis também têm sido apontados como origem de diversos incêndios, seja por ação intencional (dolo) ou negligência (culpa).

Negligência dos proprietários

O abandono de imóveis por seus proprietários, especialmente em áreas urbanas, não é apenas um problema estético ou de desvalorização imobiliária — trata-se de uma questão de segurança pública e responsabilidade social. Casas e prédios desocupados frequentemente se tornam pontos de apoio para práticas criminosas, abrigo improvisado de pessoas em situação de rua e espaços de uso de álcool e drogas ilícitas. A negligência dos donos, seja por descaso, litígio ou desinformação, contribui diretamente para o agravamento desses cenários. É fundamental que o poder público atue com fiscalização, notificação e, quando necessário, intervenção legal, mas também é indispensável que os proprietários assumam seu papel na manutenção e destinação adequada desses imóveis. O espaço urbano é coletivo, e o abandono deliberado não pode ser tolerado como prática impune.

Imóveis abandonados na mira da Prefeitura

A situação dos imóveis abandonados, além de representar risco à segurança, à saúde e à ordem urbana, entrou no radar da Prefeitura de Ponta Grossa, que regulamentou procedimentos para incorporá-los ao patrimônio público. Por meio do Decreto nº 22.838/2024, o município poderá declarar o abandono e arrecadar os imóveis, seguindo critérios técnicos e legais.

O decreto estabelece que a Procuradoria Geral do Município (PGM) coordenará os trâmites burocráticos, com apoio da Comissão de Análise e Gerenciamento dos Imóveis Abandonados (CAGIM) — composta por representantes das secretarias de Infraestrutura e Planejamento, Fazenda e Meio Ambiente.

O processo pode ser iniciado por denúncias fundamentadas, ofícios da administração pública ou manifestação do próprio proprietário. A partir disso, será feito um relatório técnico com fotos e descrição do imóvel. Caso a comissão conclua que o bem se enquadra como abandonado, o proprietário será notificado e terá até 30 dias para se manifestar ou apresentar recurso.

?️ Do abandono à função social

Se não houver contestação ou se ela for indeferida, o município poderá publicar uma Declaração Municipal de Vacância de Bem Imóvel Abandonado no Diário Oficial. A partir dessa publicação, inicia-se um prazo de três anos para a efetiva transferência do imóvel para o domínio público.

Durante esse período, o proprietário ainda deverá conservar o bem e manter os tributos em dia. Após a incorporação, os imóveis poderão ser utilizados pela prefeitura para habitação social, equipamentos públicos ou, se for o caso, alienados mediante autorização legislativa.

A legislação representa uma tentativa de dar função social a propriedades antes marcadas pelo descaso e que, muitas vezes, acabam servindo de esconderijo para o crime.

Falhas na fiscalização

Apesar da norma estabelecida, tudo indica que ela não está sendo colocada em prática com a devida efetividade. O caso verificado na manhã desta terça-feira, com a ocupação criminosa de imóveis deteriorados, evidencia que há falhas na fiscalização e na aplicação do decreto, o que tem permitido que o problema se agrave em diversas regiões da cidade.

Leia também Polícia divulga balanço de operação contra o tráfico em Ponta Grossa

Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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