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Ponta Grossa

Paciente vai a Curitiba por vaga, volta sem atendimento e segue à espera de cirurgia em PG

Jovem sofreu acidente de motocicleta, está internada desde maio e, segundo acompanhante, precisa de atendimento para cirurgia plástica reconstrutiva

Falta de atendimento
Arquivo Pessoal
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Uma paciente quilombola internada no Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais, em Ponta Grossa, aguarda transferência para realizar um procedimento especializado após sofrer um grave acidente de motocicleta. Segundo informações repassadas ao BnT Online, Isabely Vitória Russo Almeida deu entrada na unidade no dia 7 de maio de 2026, com traumatismo craniano grave. Ela chegou a ser transferida para a capital do estado, mas voltou por falta de vagas.

Desde então, conforme relato de familiares e acompanhante, a paciente já passou por três cirurgias na cabeça, mas ainda precisa de um novo procedimento, desta vez de caráter reconstrutivo. A acompanhante Leonice, que ficou com Isabely durante boa parte da internação, relatou que permaneceu 40 dias ao lado da paciente no hospital. Nesta terça-feira (7), segundo ela, quem estava acompanhando Isabely era a mãe.

“Eu fiquei 40 dias com ela, só que hoje é a mãe dela que tá de acompanhante”, relatou Leonice. Ainda segundo a acompanhante, o caso começou após um acidente de motocicleta. “Sofreu um acidente de moto”, afirmou. Agora, conforme o relato, Isabely precisa de uma cirurgia plástica reconstrutiva, mas o procedimento não seria realizado no Hospital Regional.

De acordo com relatório de solicitação de prioridade para transferência hospitalar ao qual o BnT Online teve acesso, a paciente permanece com lesão complexa em região craniana, com ferida aberta, e necessita de procedimento reconstrutivo especializado para continuidade adequada do tratamento.

O documento aponta ainda que a transferência para uma unidade hospitalar de maior complexidade estaria sendo aguardada desde 3 de junho de 2026. A indicação seria para um hospital com equipe especializada em neurocirurgia, cirurgia plástica reconstrutiva e tratamento de lesões complexas do couro cabeludo e crânio.

Transferência da paciente

Entre as unidades citadas como possíveis referências estão o Hospital de Clínicas de Curitiba, o Hospital Universitário Cajuru ou outra instituição com estrutura técnica para realizar o procedimento necessário. A situação preocupa familiares porque a espera prolongada pode aumentar o risco de complicações.

O relatório menciona possibilidade de infecção da ferida, atraso no procedimento reconstrutivo indicado e prolongamento do sofrimento físico e emocional em razão da internação. Além da demora, a família também relata uma situação considerada grave: Isabely teria chegado a ser encaminhada para Curitiba, mas, ao chegar à capital, teria sido informada de que não havia vaga disponível e precisou retornar para Ponta Grossa, voltando ao último lugar da fila.

  • A reportagem questionou os órgãos responsáveis sobre como teria ocorrido o deslocamento, se havia confirmação formal de vaga e quem autorizou a transferência.

O BnT Online enviou pedidos de posicionamento à Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) e à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), responsável pelo Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais.

A reportagem questionou a SESA sobre a situação da paciente na Central de Regulação, a data de solicitação da vaga, a prioridade atribuída ao caso, a previsão de transferência e se houve falha no fluxo de encaminhamento.

À UEPG, foram enviados questionamentos sobre o atendimento prestado no Hospital Regional, a necessidade de transferência, a confirmação ou não de vaga em Curitiba antes do deslocamento e quais medidas estão sendo adotadas para garantir a continuidade do tratamento.

Resposta dos orgão oficiais envolvidos

O Hospital Universitário da UEPG informou que responde sobre assuntos de interesse público, mas que, em casos particulares, por conta da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), os responsáveis legais pela paciente ou terceiros indicados por eles devem acompanhar o processo junto ao Serviço Social.

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) também afirmou que não comenta casos individuais, citando o Estatuto dos Direitos do Paciente, e disse que as informações pertinentes são repassadas diretamente aos pacientes e familiares pelos serviços de saúde onde se encontram. O espaço segue aberto para novas manifestações.

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