Pastor pede a Fachin esconder Marcola e Beira-Mar da CIA
Um pastor protocolou habeas corpus preventivo no STF pedindo que Marcola e Beira-Mar sejam escondidos da CIA. Ele alega risco de ‘salve geral’ caso os líderes criminosos sejam capturados. O ministro Edson Fachin negou seguimento ao pedido.

Um pastor protocolou um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que os líderes criminosos Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, sejam escondidos da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. O documento, datado de 2 de junho de 2026, foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pela Gazeta do Povo em consulta ao sistema do tribunal. O religioso alega que há risco de um “salve geral” caso os dois sejam capturados pela agência americana.
O pedido foi endereçado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pastor argumenta que Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Beira-Mar, chefe do Comando Vermelho (CV), estariam sob ameaça de sequestro por terem sido classificados erroneamente como “terroristas” pelos Estados Unidos. A fonte não detalhou como o religioso obteve essa informação.
Pedido cita risco de ‘salve geral’
No documento, o pastor afirma que um eventual sequestro dos líderes criminosos geraria “transtorno à garantia da ordem pública” e provocaria um “salve geral”. Ele também menciona que os pacientes seriam “postos [junto ao] povo preso em outros países, diferente do imposto no Brasil”. A expressão “salve geral” é usada no meio criminoso para designar uma ordem de ataques coordenados emitida por líderes de facções.
O religioso cita números para justificar sua preocupação: “Foram 564 mortos, 505 civis, 59 agentes de segurança, 110 feridos, 82 ônibus incendiados, grande forte reação violenta de policiais e de grupos de extermínio”. Ele não especifica a qual evento esses dados se referem, mas os apresenta como exemplo do que poderia ocorrer em caso de captura. A fonte não detalhou a origem dessas estatísticas.
Pastor menciona aumento da população carcerária
O autor do pedido também faz uma observação sobre o sistema prisional: “a população carcerária era 401.236 e hoje, em 2026, hoje são 941.752 e com [um] detalhe: com maior facilidade ao acesso a armas em decorrência do governo Jair Bolsonaro”. Ele atribui o aumento da população carcerária e o acesso a armas à gestão do ex-presidente, mas não apresenta fontes para essa afirmação.
O habeas corpus preventivo tem como fundamentação o artigo 5º da Constituição de 1988, que garante o direito de locomoção. O pastor pede que os pacientes sejam “colocados longe do alcance de nações que citei”, deixando ao STF e ao Ministério da Justiça a decisão sobre o local. Ele encerra o pedido afirmando: “Não quero destruição, caso ‘salve geral'”.
Fachin nega seguimento ao pedido
O ministro Edson Fachin decidiu sobre o habeas corpus em 22 de junho. Ele observou que o pastor não aponta nenhum ato atribuível a uma autoridade sujeita à jurisdição do STF. No pedido, o governo americano aparece como impetrado, o que inviabiliza a análise pelo tribunal brasileiro.
A Constituição permite o habeas corpus sempre que alguém sofrer ou estiver ameaçado de sofrer uma ameaça ilegal em sua liberdade de locomoção. Não é necessário ser advogado, e quem apresenta o pedido não precisa ser a própria pessoa ameaçada. No entanto, o Regimento Interno do STF diz que não deve ser conhecido um habeas corpus “desautorizado” pelo beneficiário.
STF recebe pedidos de apoiadores
O Supremo vem recebendo petições desta classe de apoiadores de Bolsonaro que pedem a sua liberdade. O tribunal costuma negar seguimento a esses pedidos por questões processuais, como a falta de legitimidade ou a desautorização do beneficiário. No caso do pastor, a decisão de Fachin seguiu o mesmo entendimento.
O pedido do religioso não tem relação direta com o Paraná ou com Ponta Grossa, mas o caso ganhou repercussão nacional por envolver líderes de facções criminosas e uma suposta ameaça internacional. A fonte não detalhou se o pastor tem alguma ligação com as facções ou se agiu por conta própria.
O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando o desenrolar desse caso e de outras decisões do STF que impactam a segurança pública no país.























