Pedaços, por Renata Régis Florisbelo
Eles nasceram minúsculos, porém amparados pela mãe. Olhos ainda fechados naquela pequenez que nos afronta quando comparado à fragilidade humana: somos filhotes totalmente dependentes e pouco capacitados à sobrevivência em condições inóspitas. Nas velhas cidades, nossas moradas estão livres de tanta selvageria. Será? Na manhã chuvosa depois de dias de tempestades de água vindo do […]

Eles nasceram minúsculos, porém amparados pela mãe. Olhos ainda fechados naquela pequenez que nos afronta quando comparado à fragilidade humana: somos filhotes totalmente dependentes e pouco capacitados à sobrevivência em condições inóspitas. Nas velhas cidades, nossas moradas estão livres de tanta selvageria.
Será? Na manhã chuvosa depois de dias de tempestades de água vindo do céu, as calhas direcionavam e conduziam dos telhados para o já tão encharcado chão. Os olhos que acompanhavam a dança coreografada a partir dos telhados se horrorizaram no impacto em encontrar pedaços de um dos pequenos filhotes destroçado, comido até os últimos nacos de carne.
Patas soltas junto ao resto de couro, só o que sobrou. Um bicho fofinho, em pelos macios que afeto e graça despertavam virou carcaça carcomida, comida de sei lá que fera urbana e desconhecida.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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