PF fez relatório paralelo sobre Mendonça no caso Master
A Polícia Federal produziu relatórios paralelos com análise crítica da atuação do ministro André Mendonça, do STF, nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Os documentos antecederam a decisão em que Mendonça retirou sigilo de peças do caso Master. Moraes usou as informações para apontar indícios de improbidade e abuso de autoridade.

A Polícia Federal produziu um relatório paralelo com análise crítica da atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Os documentos, obtidos pelo portal Boca no Trombone, examinam desde o padrão probatório adotado pelo magistrado até sua relação com outros integrantes da Corte e atores políticos.
A produção do material antecedeu a decisão de terça-feira (1º.set.2026), quando Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Banco Master que mostravam relação entre o fundador da instituição, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.
Nesta quinta-feira (3.set.), Moraes usou as informações dos relatórios para sustentar uma decisão em que afirmou haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na condução das duas operações. O ministro pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu novo procedimento e deu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações.
Análise política e hipóteses de inteligência
Uma das avaliações de caráter político feitas pelos analistas envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O relatório afirma que Alcolumbre constituiria um “provável alvo estratégico”, considerando sua força política, o favoritismo para permanecer na presidência do Senado e o consequente controle da pauta da Casa, especialmente sobre o processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Os agentes levantam ainda a hipótese de que Mendonça poderia enxergar no presidente do União Brasil, Antonio Rueda, uma “rota de acesso” a Alcolumbre. O documento relaciona a hipótese à resistência de Alcolumbre à indicação de Mendonça ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o relatório, o senador representou um “grande empecilho” à indicação. Nesse ponto, porém, o documento trabalha explicitamente com uma hipótese de inteligência, sem afirmar que Mendonça tenha usado uma investigação sobre Rueda para atingir Alcolumbre.
Vídeo: YouTube | Fonte: www.poder360.com.br
Postura diante de Moraes e Toffoli
Outro ponto analisado é a forma como Mendonça reagiu a informações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo o relatório, em relação a Moraes, o discurso do relator indicaria interesse no início de uma investigação formal quando surgiram informações relacionadas ao ministro. No caso de Toffoli, os analistas identificaram uma postura diferente: o documento registra “contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF”.
A análise faz uma ressalva: a diferença seria verificável documentalmente, mas sua causa não estaria demonstrada. O relatório, portanto, não conclui que Mendonça tenha favorecido Toffoli ou perseguido Moraes. A fonte não detalhou quais informações específicas motivaram essa comparação.
Assimetria nos prazos de decisão
Os agentes da PF também compararam o tempo que Mendonça levou para apreciar medidas envolvendo diferentes políticos. Em uma seção intitulada “Assimetria nos prazos de apreciação”, o relatório lista casos envolvendo Jaques Wagner (PT-BA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió.
Uma medida relacionada a Wagner foi apresentada em 8 de junho de 2026 e decidida em 17 de junho, nove dias depois. No caso de Ciro, foram 29 dias, de 7 de abril a 6 de maio. Uma medida envolvendo Castro levou 75 dias, de 11 de março a 25 de maio. Outra, que tinha parecer favorável da PGR, levou 46 dias, de 30 de maio a 15 de julho.
Já uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió, apresentada em 9 de junho, permanecia pendente em 1º de agosto, mais de 53 dias depois.
Impacto interno na Polícia Federal
Os documentos também analisam decisões de Mendonça que atingiram o funcionamento interno da Polícia Federal. A fonte não detalhou quais decisões foram examinadas nesse aspecto, mas o relatório integra um conjunto de avaliações sobre a conduta do ministro em diferentes frentes.
O material levanta hipóteses sobre possíveis motivações para determinadas condutas, sem afirmar comprovação. A íntegra do relatório está disponível em PDF de 7 MB. O caso segue em apuração no STF, com prazo para manifestações das partes envolvidas.
O desdobramento pode influenciar o ambiente político e jurídico nas próximas semanas, especialmente diante da abertura de procedimento por Fachin. O portal Boca no Trombone continuará acompanhando o caso e trará novas informações assim que forem divulgadas.
📄 Documentos Relacionados
- 📎 íntegra (INQ4781-relatorios-Da-PF-contra-Mendonca.pdf)
- 📎 inquérito 4.781 (portaria-69-14mar2019.pdf)
Fonte
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- Jair Bolsonaro (PL) (drive.poder360.com.br)
- inquérito 4.781 (static.poder360.com.br)
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