PF investiga corrupção e lavagem em negócios de Flávio Bolsonaro com filme
A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o filme ‘Dark Horse’. A defesa do parlamentar trata o caso como patrocínio privado, mas investigadores rechaçam essa versão e apuram origem, entrega e destino dos recursos.

A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o filme ‘Dark Horse’. O ponto central da investigação é saber se houve vantagem indevida envolvendo um agente público e um agente privado. A apuração ganhou novos contornos após declarações do próprio parlamentar e de aliados.
Flávio Bolsonaro tenta tratar o caso como uma questão privada, um simples patrocínio a um filme. Mas essa versão é rechaçada por investigadores ouvidos pelo blog: ‘Dark Horse’ é caso de polícia. A suspeita é de que o projeto cinematográfico tenha sido usado para ocultar repasses irregulares.
Versão de patrocínio é contestada
Na entrevista que concedeu a Renata Vasconcellos e César Tralli, nesta sexta-feira (28), o candidato do PL à Presidência afirmou que não há ‘absolutamente nada de errado’ em ter buscado o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar o filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em rede nacional e reacendeu o debate sobre a legalidade da operação.
Flávio Bolsonaro voltou a dizer que pediu a Vorcaro um patrocínio privado para o projeto ‘Dark Horse’. ‘Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme’, disse o candidato. ‘Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro.’ A fala, porém, não convenceu os investigadores, que veem lacunas na explicação.
É justamente isso o que a PF tenta esclarecer. Os investigadores querem saber se houve entrega de dinheiro, qual era a origem dos recursos, quem participou, como o dinheiro circulou e qual foi o destino final. A ausência de transferência direta para a conta do senador não afasta, por si só, a possibilidade de crime.
Vorcaro não queria aparecer
Há ainda um elemento considerado relevante pela investigação: Daniel Vorcaro não queria aparecer como patrocinador do filme. O desejo de anonimato levanta questionamentos sobre a real natureza do repasse. Se o patrocínio fosse legítimo, argumentam os investigadores, não haveria motivo para esconder a origem dos recursos.
A declaração de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, de que Flávio Bolsonaro teria ido à casa de Vorcaro buscar ‘o restante do dinheiro’, também entrou no radar da PF e está sendo apurada. A menção a uma entrega em espécie, fora do sistema financeiro, reforça a suspeita de lavagem de dinheiro. A fonte não detalhou o valor mencionado por Valdemar.
Por isso, na avaliação dos investigadores, não basta apresentar o episódio como uma relação privada de patrocínio. Há perguntas sobre a origem, a entrega e o destino do dinheiro, e sobre a participação de um senador da República nessa relação. O cargo público de Flávio Bolsonaro torna o caso ainda mais sensível, pois pode configurar corrupção passiva se ficar comprovada vantagem indevida.
Próximos passos da investigação
A Polícia Federal deve ouvir novas testemunhas e analisar documentos relacionados ao financiamento do filme. A quebra de sigilos bancários e fiscais pode ser solicitada à Justiça para rastrear o caminho do dinheiro. A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que o projeto é cultural e legítimo.
O caso ‘Dark Horse’ se soma a outras investigações envolvendo o clã Bolsonaro e deve ter desdobramentos nas próximas semanas. A sociedade acompanha com atenção o desenrolar das apurações, que podem impactar o cenário político nacional. O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando o caso e trará novas informações assim que forem divulgadas.
Fonte
- g1.globo.com
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