Vídeo do Lula com dez dedos foi feito por Inteligência Artificial, aponta Justiça
Um vídeo de apoio à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), tornou-se alvo de questionamento na Justiça Eleitoral após mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com cinco dedos na mão esquerda. Lula perdeu o dedo mínimo dessa mão em um acidente de trabalho ocorrido em 1964. A inconsistência visual […]

Um vídeo de apoio à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), tornou-se alvo de questionamento na Justiça Eleitoral após mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com cinco dedos na mão esquerda. Lula perdeu o dedo mínimo dessa mão em um acidente de trabalho ocorrido em 1964.
A inconsistência visual levantou a suspeita de que a imagem tenha sido produzida ou modificada com auxílio de inteligência artificial. O material apresenta Elmano em diferentes situações e utiliza uma sequência de efeitos e transições. Em uma das passagens, o governador aparece ao lado de Lula, momento em que a mão esquerda do presidente é exibida completa.
- Leia também: STF proíbe cobrança de IPTU por área do imóvel
O caso tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) sob o número 0600211-05.2026.6.06.0000. A representação foi apresentada pelo diretório estadual do Partido Liberal (PL) contra Chagas Vieira (PDT), Camilo Santana (PT), Evandro Leitão (PT) e o Facebook Serviços Online do Brasil.
Justiça cobra explicações dos responsáveis
O PL sustenta que o vídeo poderia configurar propaganda eleitoral antecipada e que haveria indícios do uso de inteligência artificial sem a identificação exigida pelas regras eleitorais.
Em decisão proferida em 10 de julho, o desembargador Francisco Luís Rios Alves negou o pedido inicial para retirar o conteúdo das redes sociais. O magistrado considerou que o partido não havia apresentado laudo, metadados ou outro elemento técnico capaz de comprovar, naquele momento, a existência de manipulação sintética.
A decisão apontou que os recursos visuais também poderiam ter sido produzidos por técnicas convencionais de edição audiovisual. A negativa da liminar, entretanto, não encerrou o processo e não representa uma conclusão de que a peça seja regular.
Após novo questionamento do PL, a Justiça determinou que os responsáveis esclareçam se utilizaram inteligência artificial na elaboração ou edição do vídeo. Caso neguem o emprego da tecnologia, deverão informar qual procedimento foi usado para criar as transições e demais alterações visuais.
O vídeo continua disponível enquanto o TRE-CE reúne informações para analisar o mérito da representação. Até esta terça-feira (25), não foi localizada, nas fontes públicas consultadas, decisão definitiva sobre o caso.
Regras eleitorais exigem identificação
As normas das eleições de 2026 determinam que conteúdos sintéticos produzidos ou manipulados com inteligência artificial tragam uma identificação explícita, destacada e acessível, inclusive com a indicação da tecnologia utilizada.
As regras estão previstas no artigo 9º-B da Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada pela Resolução nº 23.755/2026. O texto também proíbe deepfakes usados para favorecer ou prejudicar candidaturas. Ajustes comuns de qualidade, montagem ou edição podem ser dispensados da identificação, dependendo das características do material.
Comentários
Nenhum comentário aindaCarregando comentários…
























