Há três anos, o 8 de janeiro no Brasil entrou para a história como o dia em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, em protesto contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As cenas de destruição no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no STF repercutiram internacionalmente e marcaram um ataque direto ao Estado Democrático de Direito.
Ainda em 2022, grupos bolsonaristas mantinham acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo intervenção militar. Após a derrota eleitoral, parte desses manifestantes passou a questionar o resultado das urnas e, no dia 8 de janeiro de 2023, avançou sobre a Praça dos Três Poderes, enfrentando uma atuação policial considerada insuficiente para conter a invasão.
No STF, andares inteiros foram devastados. O plenário teve vidraças quebradas, móveis destruídos e obras de arte danificadas. No Congresso Nacional, além da destruição estrutural, obras como a escultura Bailarina, de Victor Brecheret, foram furtadas, e um painel de Di Cavalcanti foi atacado. Já no Palácio do Planalto, o governo classificou os atos como vandalismo contra o acervo histórico da República, incluindo a obra As Mulatas, avaliada em cerca de R$ 8 milhões.
Horas após os ataques, Lula responsabilizou Bolsonaro, que, por sua vez, afirmou repudiar invasões, mas defendeu manifestações pacíficas. O STF entendeu que o ex-presidente teve responsabilidade indireta e ativa na tentativa de golpe, citando discursos contra o sistema eleitoral e a chamada “minuta golpista”. Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
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A segurança do Distrito Federal era comandada por Anderson Torres, então secretário de Segurança Pública. Ele foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes e condenado a 24 anos de prisão por omissão e conivência.
Até o momento, o STF já condenou 810 pessoas pelos atos do 8 de janeiro no Brasil, além de homologar 564 acordos de não persecução penal. Os danos materiais superaram R$ 20 milhões, segundo a Procuradoria-Geral da República.
Neste terceiro aniversário, o Palácio do Planalto e o STF realizam atos oficiais em defesa da democracia, data em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar o chamado PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por atos antidemocráticos, reforçando o posicionamento do governo contra qualquer tentativa de anistia. A cerimônia contará com autoridades e representantes da sociedade civil, mas, assim como em anos anteriores, não terá a presença dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, que não devem participar do ato.
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