A família do adolescente de 17 anos morto durante uma intervenção policial no bairro Costa Rica, em Ponta Grossa, voltou a cobrar respostas das autoridades após relatar que o policial militar envolvido no caso estaria novamente em serviço nas ruas da cidade. O episódio ocorreu em 1º de janeiro e segue sendo investigado pela Polícia Civil e pela Polícia Militar do Paraná (PMPR).
Nesta sexta-feira (16), o advogado da família, Matheus Quadros, acompanhou o pai da vítima e uma testemunha na Delegacia de Polícia, onde ambos prestaram depoimento sobre o caso. Segundo ele, a fase atual da investigação é decisiva para definir a dinâmica da ocorrência e verificar eventuais irregularidades.
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Quadros afirma que os laudos que compõem o inquérito policial estão em andamento. O laudo de necropsia foi concluído e complementações foram solicitadas pela Polícia Civil. A investigação ainda aguarda o laudo do exame do local de morte e a análise da prestabilidade das armas de fogo — tanto a que teria sido usada na intervenção quanto a arma que, segundo relatos, teria sido encontrada posteriormente na cena. “É um dos principais elementos para esclarecer a dinâmica do fato”, afirmou o advogado.
Confira o vídeo exclusivo do repórter Igor Rugilo com o depoimento do advogado:
O defensor também destacou que há contradições importantes nos depoimentos colhidos até agora, especialmente em relação à abordagem e ao disparo. “Tudo isso foi objeto das interrogações feitas pela Polícia Civil hoje. Devem ser buscadas novas diligências e vídeos. Estamos trabalhando juntamente com a família para chegar à verdade real”, explicou.
A principal preocupação do advogado e dos familiares é a informação de que o policial envolvido na ocorrência teria retornado às atividades operacionais. “Hoje tivemos a informação de que o suposto autor do homicídio voltou às atividades. Estamos buscando esclarecimentos sobre qual decisão embasou esse retorno, já que há um Inquérito Policial Militar e um inquérito comum em andamento”, disse Quadros. Até o momento, a PMPR não respondeu aos questionamentos enviados pelo BnT! Online sobre o status funcional do agente.
Dor e cobrança por justiça
Luiz, pai do adolescente morto, também prestou depoimento e voltou a pedir que as investigações sigam com transparência. Abalado, ele relatou a dificuldade de lidar com a perda do filho e a indignação com a possibilidade de o policial já estar atuando novamente nas ruas.
“Não está fácil. Nós buscamos pela justiça, porque isso não pode ficar impune. Queremos a verdade. E, segundo o relato, o policial está de serviço. Ele não pode estar na rua. Ele pode tirar a vida de outro jovem”, afirmou. Para ele, o afastamento deveria ser obrigatório enquanto a apuração permanece em curso.
Confira o vídeo exclusivo do repórter Igor Rugilo com o depoimento do pai da vítima:
O pai também relembrou os minutos anteriores ao ocorrido, dizendo que viu o filho pouco antes da intervenção. “Ele saiu de casa sem capacete, sem camisa, de chinelo. Depois de cinco minutos, me avisaram. Fui atrás, a viatura estava vindo tranquila. Quando cheguei, avistei o Eduardo empurrando a moto. O policial me abordou e ainda pedi: ‘não mate o moleque’. Não deram ouvido. Só escutei o estampido”, relatou.
A família afirma estar “sem chão” desde a morte do jovem e reforça que continuará acompanhando cada etapa da investigação. “Perdi meu companheiro, meu filho que me ajudava. Quem é pai imagina a dor”, disse Luiz.
O que diz a PMPR
Em nota divulgada no dia do fato, a PMPR relatou que houve tentativa de abordagem a um motociclista sem placa e sem capacete, e que a motocicleta apresentava sinais de adulteração. A corporação informou ainda que recolheu um revólver calibre .38 no local. Laudos periciais devem confirmar ou descartar a versão de confronto.
A Polícia Civil e a Polícia Científica realizaram os procedimentos técnicos no local. Na ocasião, uma pedra foi arremessada contra uma viatura, e o autor foi encaminhado à delegacia.
A reportagem questionou a PMPR sobre o eventual retorno do policial ao trabalho, mas, até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da corporação.


















