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Bola Rolando: Derrota do Operário expõe escolhas de Luizinho Lopes

Derrota do Operário Ferroviário por 3 a 1 expõe problemas na escalação e na organização tática da equipe de Ponta Grossa.

Operário
Foto: Heber Gomes / ACG
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A derrota do Operário Ferroviário por 3 a 1 diante do Atlético-GO, na noite de segunda-feira (27), em Goiânia, precisa ser analisada além do placar. O Fantasma de Ponta Grossa esteve mal escalado, apresentou problemas de distribuição tática e acabou superado com naturalidade no Estádio Antônio Accioly.

Antes de qualquer crítica, é necessário fazer justiça ao trabalho realizado por Luizinho Lopes. O treinador possui muito crédito dentro do Operário. Pegou uma equipe pressionada no início da temporada, reorganizou o elenco, recuperou a confiança do grupo e conduziu o clube a uma campanha histórica.

O Operário chegou à abertura do segundo turno da Série B ocupando a vice-liderança. Mesmo após a derrota em Goiânia, permaneceu na segunda colocação, com 35 pontos em 20 partidas. Uma campanha que confirma a qualidade do trabalho desenvolvido pela comissão técnica.

Luizinho Lopes está entre os principais responsáveis pelo bom momento vivido pelo clube. É um treinador trabalhador, conhecedor da Série B e que construiu sua trajetória sem atalhos. Reconhecer tudo isso, porém, não significa concordar com todas as suas decisões.

O TIME FOI SACRIFICADO

O Operário entrou em campo mal organizado. Desde os primeiros minutos, ficou evidente que havia espaços excessivos entre a defesa, o meio-campo e os jogadores responsáveis pelo apoio pelos lados.

A opção por Moraes Júnior na lateral esquerda voltou a exigir compensações dos volantes e dos zagueiros. Trata-se de um jogador que consegue avançar e oferecer alternativas ofensivas, mas apresenta dificuldades na recomposição e na marcação.

Quando um lateral atua praticamente como ponta, alguém precisa ocupar o espaço deixado atrás. Isso obriga os volantes a recuarem, prende os zagueiros e altera toda a organização defensiva.

Nesse cenário, a manutenção de Gabriel Feliciano como opção causa estranhamento. Feliciano aproveitou as oportunidades recebidas, entregou equilíbrio defensivo e vive um momento técnico superior. A escolha deveria considerar o desempenho atual, e não apenas a hierarquia construída ao longo da temporada.

O primeiro gol do Atlético-GO, logo no começo da partida, simbolizou essa desorganização. O Operário errou na saída, permitiu a chegada do adversário e mostrou uma defesa posicionada excessivamente perto da própria pequena área.

Não foi um problema isolado. Durante boa parte do confronto, Miranda e Klaus precisaram atuar recuados porque o meio-campo não conseguia proteger adequadamente a entrada da área.

ESCOLHAS QUE CUSTARAM CARO

Outra decisão questionável foi a utilização de Neto Paraíba. O jogador teve importância na campanha do Campeonato Paranaense e merece reconhecimento por sua contribuição. Entretanto, neste momento, não apresenta o mesmo nível de Vinícius Diniz.

Vinícius Diniz, Boschilia e Pablo estão entre os jogadores capazes de elevar tecnicamente o Operário. Quando estão disponíveis e em boas condições, precisam ser utilizados dentro de uma estrutura que favoreça suas características.

Pablo não fez uma boa partida em Goiânia. Errou passes e teve dificuldades para encontrar espaços. Contudo, o rendimento do centroavante também foi prejudicado pela falta de organização coletiva. A bola chegou pouco e, quando chegou, normalmente encontrou o atacante isolado.

A entrada de Índio também merece reflexão. O volante possui uma história importante no Operário, entrega força de marcação e representa muito para o clube. Gratidão, no entanto, não pode substituir a avaliação do momento técnico.

Índio ainda consegue realizar intervenções defensivas importantes, mas encontra dificuldades quando precisa iniciar as jogadas. Em um momento no qual o Operário perdia e precisava atuar verticalmente, sua entrada não ajudou a equipe a acelerar a construção ofensiva.

O clube deve valorizar a história de seus jogadores. Isso pode ocorrer dentro de campo, na comissão técnica ou futuramente nas categorias de base. Mas a escalação precisa ser definida principalmente pelo rendimento apresentado no presente.

NADA ESTÁ PERDIDO

A derrota do Operário Ferroviário não apaga a excelente campanha construída até aqui. O time continua entre os primeiros colocados e segue plenamente inserido na disputa pelo acesso à Série A.

A abertura do segundo turno mostrou que o campeonato será diferente. Equipes que estavam abaixo começam a reagir, os confrontos ficam mais estudados e cada ponto passa a ter peso ainda maior.

Também é necessário observar o saldo de gols. A derrota por 3 a 1 reduziu a vantagem do Fantasma nesse critério, que poderá ser decisivo na reta final da competição.

O Operário tem qualidade para reagir imediatamente. Com o retorno de jogadores importantes, entre eles Vinícius Diniz e José Cuenú, a equipe tende a recuperar o equilíbrio técnico e defensivo.

Luizinho Lopes possui conhecimento e capacidade para corrigir o que não funcionou. Todo o crédito construído pelo treinador permanece intacto. Mas crédito não significa imunidade à crítica.

O Operário foi mal escalado, mal distribuído e mal organizado diante do Atlético-GO. Perdeu com justiça e poderia ter sofrido um placar ainda mais pesado.

A expectativa é de que as escolhas sejam revistas no próximo compromisso. Gabriel Feliciano merece continuar recebendo espaço, os melhores jogadores precisam atuar nas posições em que rendem mais e o time não pode ser sacrificado para recuperar individualmente atletas que atravessam um momento inferior.

O trabalho de Luizinho Lopes é excelente. A atuação em Goiânia, não. Reconhecer as duas coisas é apenas fazer uma análise justa do momento vivido pelo Operário Ferroviário.

Assista a coluna completa:

Ivan Vinícius
Autoria
Ivan Vinícius
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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