Casal assassinado na Guatemala temia ser deportado dos EUA
Nixon Pérez Paz e Glendy González de la Cruz, que temiam ser deportados dos EUA, foram assassinados na Guatemala. Seus corpos foram achados em um canavial no sul do país. A filha mais nova, de 14 meses, foi encontrada viva ao lado dos corpos.

O “sonho americano” do casal guatemalteco Nixon Pérez Paz e Glendy González de la Cruz terminou de forma trágica em um canavial no sul da Guatemala. Temendo a deportação dos Estados Unidos, eles foram encontrados mortos a tiros em 21 de julho.
A filha mais nova do casal, Giovanni, de apenas 14 meses, foi achada com vida ao lado dos corpos, gravemente desidratada.
Jornada para os Estados Unidos
A travessia em busca de uma vida melhor
Em 2019, Nixon e Glendy deixaram a Guatemala, fugindo da pobreza e da violência. Nixon migrou primeiro, cruzando a fronteira com o México de forma irregular. Meses depois, Glendy seguiu o marido, levando a filha do casal na época, Marisol.
Estabilidade em Overland, Missouri
Após uma breve passagem pelo Texas, o casal se estabeleceu em Overland, no Missouri. A cidade, com cerca de 15 mil habitantes, fica no Meio-Oeste dos EUA. Lá, eles formaram uma família: tiveram a segunda filha e construíram uma rotina de trabalho.
Nixon, de 43 anos, trabalhava como telhadista. Além disso, Glendy, de 25 anos, alternava empregos em empresas de embalagem de frutas, engarrafadoras e outras fábricas. Em março de 2021, Rolando Pérez Paz, irmão de Nixon, também se mudou para Overland, para ficar perto da família.
O medo constante de deportação
Apesar da vida aparentemente estável, o casal vivia com a angústia da deportação. Visto que não possuíam status migratório regular, eles temiam ser detidos e enviados de volta à Guatemala. Esse receio era comum entre os imigrantes da região.
Liliana, amiga do casal, resumiu o sentimento em entrevista: “É assim que muitos de nós, imigrantes nos Estados Unidos, tememos acabar”. Ela acrescentou: “Vivemos com o medo de sermos detidos e separados dos nossos maridos, dos nossos filhos, ou de sermos devolvidos ao país perigoso do qual fugimos”.
Separação e retorno forçado
O temor se concretizou para Nixon. Consequentemente, em maio de 2025, ele foi deportado dos Estados Unidos. Dessa forma, a partida repentina desestruturou a família. Um ano após a deportação, Glendy decidiu voltar à Guatemala para reunir a família. Contudo, a fonte não detalhou se as três filhas viajaram com ela.
A decisão de retornar a um país marcado pela violência foi, segundo conhecidos, dolorosa. O casal havia construído uma vida nos EUA, mas a pressão da separação e o medo de nova detenção motivaram a reunião em solo guatemalteco.
Crime brutal em canavial
Em 21 de julho, a esperança de reconstrução foi interrompida. Ou seja, os corpos de Nixon e Glendy foram localizados em um canavial no sul da Guatemala, com ferimentos de tiros. Contudo, as circunstâncias do assassinato ainda são investigadas.
Ao lado dos cadáveres, os agentes encontraram a filha mais nova do casal, Giovanni, de 14 meses. Além disso, a bebê estava viva, mas gravemente desidratada, e foi encaminhada a um hospital. Por outro lado, as outras duas filhas não foram mencionadas pelas autoridades nesse contexto.
Repercussão e temor na comunidade
A tragédia repercutiu entre amigos e na comunidade de Overland. Consequentemente, a frase de Liliana, sobre o temor de acabar como vítimas, ecoou nas redes sociais. Além disso, o caso reacendeu a discussão sobre os perigos que imigrantes enfrentam quando retornam aos países de origem.
Para muitos imigrantes, a história do casal é um lembrete alarmante do que pode acontecer após uma deportação. Sobretudo, a violência que tentaram deixar para trás acabou por alcançá-los em sua própria terra natal.
Futuro incerto para as crianças
Giovanni sobreviveu, mas o destino de Marisol e da outra filha do casal não foi divulgado. Consequentemente, parentes na Guatemala e nos Estados Unidos agora buscam formas de garantir o cuidado das meninas. Além disso, a família de Overland, incluindo o tio Rolando, acompanha o caso à distância.
O crime segue sem esclarecimento, e as autoridades guatemaltecas não divulgaram suspeitos. Enquanto isso, a comunidade imigrante lamenta a morte do casal que, anos antes, havia partido em busca de um futuro sem violência.
A história de Nixon e Glendy é um retrato cruel dos dilemas migratórios contemporâneos: escapar da morte para, tempos depois, encontrá-la no mesmo lugar de origem. Ademais, Giovanni, a bebê que resistiu, simboliza tanto a fragilidade quanto a força daqueles que atravessam fronteiras em busca de vida.























