Clientes denunciam agência de viagens após pacotes não serem realizados em PG
Proprietária da agência nega intenção de aplicar golpe, atribui problemas à má administração financeira e diz que pretende ressarcir todos os consumidores

Mais de 20 boletins de ocorrência já foram registrados por clientes que afirmam ter sido prejudicados após contratar viagens com uma agência de turismo de Ponta Grossa. As denúncias envolvem, principalmente, um pacote para Porto de Galinhas (PE), previsto para ocorrer entre os dias 13 e 19 de julho, além de outras excursões que, segundo os consumidores, também correm risco de não acontecer.
Os registros foram feitos na 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa (13ª SDP) e têm como natureza o crime de estelionato. Em um dos boletins obtidos pela reportagem, uma vítima relata que o grupo planejava a viagem havia cerca de oito meses, mas, próximo da data do embarque, descobriu que não havia reservas no hotel nem passagens aéreas emitidas. O documento também informa que mais de 20 pessoas teriam sido lesadas.
O Portal BnT teve acesso a uma relação com dezenas de números de boletins de ocorrência registrados por supostas vítimas e apurou que o número de registros já ultrapassa 20 casos.
Clientes relatam prejuízos e falta de informações
Entre as vítimas está Vanessa Correia de Albuquerque, que afirma ter pago R$ 3 mil pelo pacote para Porto de Galinhas. Segundo ela, nos dias que antecederam a viagem, a responsável pela agência deixou de fornecer informações aos passageiros.
“Ela não passava informação para ninguém. Eu paguei parte do valor. Aí, quando viu o que estava acontecendo, ela me deu duas opções: devolver o dinheiro, atrasar a viagem ou pagar mais R$ 10 mil para conseguir ir”, relatou Vanessa ao Portal BnT.
Uma lista encaminhada à reportagem reúne, até o momento, 32 consumidores que afirmam ter sofrido prejuízos. Os valores informados variam entre R$ 700 e R$ 16 mil, somando dezenas de milhares de reais em pagamentos realizados para viagens.
Segundo os próprios consumidores, o levantamento ainda pode aumentar, já que outras pessoas estariam entrando em contato para relatar situações semelhantes.
Além do pacote para Porto de Galinhas, clientes afirmam que uma excursão para Gramado, prevista para os próximos dias, também não deverá ocorrer por ausência de reservas.
Proprietária admite problemas financeiros, mas nega golpe
Em entrevista exclusiva ao Portal BnT, a proprietária da agência Quero Viajar, Caren Graziele Alves Pinheiro, reconheceu que não conseguiu cumprir a viagem programada, mas negou que tenha agido com intenção de aplicar golpes. Segundo ela, o problema foi provocado por dificuldades financeiras e falhas na administração da empresa.
“A gente tinha uma viagem contratada na qual não consegui cumprir. Junto com o jurídico, vou entrar em contato e tentar organizar tudo com o pessoal.”
Caren afirmou que já enfrentou cancelamentos anteriormente e que, nessas ocasiões, realizou os reembolsos utilizando recursos próprios e ajuda da família.
Durante a entrevista, ela declarou que passou por problemas financeiros após ficar afastada pelo INSS e que utilizava dinheiro pessoal para completar valores de excursões quando o número mínimo de passageiros não era atingido.
“Faltou administração. Posso dizer que faltou administrar melhor a minha empresa.”
A empresária também negou ter agido com intenção de cometer estelionato.
“Não tinha o intuito de dar golpe. Quem me conhece sabe disso. Se fosse para dar golpe, teria feito isso lá no começo.”
Reembolsos serão organizados, diz empresária
Segundo Caren, a empresa encerrará as atividades e iniciará um processo de organização financeira para devolver os valores aos consumidores. Ela afirmou que pretende, a partir da próxima semana, concluir a contabilidade da empresa e entrar em contato individualmente com cada cliente para definir a forma de pagamento dos reembolsos.
“Todo mundo vai ter uma solução, seja agora ou posteriormente.”
A empresária disse ainda que ainda não conseguiu calcular o valor total da dívida e que os números divulgados por terceiros seriam superiores ao montante real, mas afirmou que fará esse levantamento nos próximos dias.
Ameaças e investigação
Durante a entrevista, Caren também relatou que vem recebendo ameaças após a repercussão do caso nas redes sociais. Segundo ela, algumas mensagens continham ameaças de morte e de depredação da residência onde mora com a mãe e um filho pequeno. Ela afirmou que registrou boletim de ocorrência em razão dessas ameaças.
Enquanto isso, os boletins registrados pelos consumidores seguem sob análise da Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias dos fatos e verificar eventual responsabilidade criminal.























