Coelhos, por Renata Régis Florisbelo
Atrás de casa, antes do bambuzal, construiu a coelheira. Nas horas vagas também escrevia poemas e pintava, ou melhor, aquarelava. Também outras técnicas, como lápis de cor e giz. A sensação das pinceladas fluídicas foi o que minha mente impregnou. Havia um corredor de acesso aos nichos individuais para os coelhos em simpáticas portinholas em […]

Atrás de casa, antes do bambuzal, construiu a coelheira. Nas horas vagas também escrevia poemas e pintava, ou melhor, aquarelava. Também outras técnicas, como lápis de cor e giz. A sensação das pinceladas fluídicas foi o que minha mente impregnou. Havia um corredor de acesso aos nichos individuais para os coelhos em simpáticas portinholas em grades com amplos furos pelos quais era possível alimentá-los com imensas folhas de algum vegetal e, óbvio, com cenouras que eles especialmente apreciavam.
Ao final de algum tempo apareciam bolsas lindas em couro de coelho, depois do almoço em família com a carne deles. Crianças que éramos ainda desprovidas da sincronicidade mortal do mundo adulto, nem percebíamos que o nicho vazio era a bolsa recém produzida. Os olhos grandes dos coelhos, ao lado das caras eternamente em mastigação inquiriam da vida os ciclos e a perpetuação.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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