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Escada, por Renata Regis Florisbelo

Lembro-me como se fosse hoje, ela bateu palmas no portão e chamou meu nome. Estranhei, Elisa era íntima da casa, não necessitava bater e se anunciar, bastava entrar. Fui ter com ela, ouvir sua voz era sempre motivo de alegria. Percebi suas mãos trêmulas. A expressão estava séria, rosto pálido e olhos chorosos. Notei a […]

Escada, por Renata Regis Florisbelo
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Lembro-me como se fosse hoje, ela bateu palmas no portão e chamou meu nome. Estranhei, Elisa era íntima da casa, não necessitava bater e se anunciar, bastava entrar. Fui ter com ela, ouvir sua voz era sempre motivo de alegria. Percebi suas mãos trêmulas. A expressão estava séria, rosto pálido e olhos chorosos.
Notei a pressa em falar, ofereci entrar para um café, ela não quis. Imediatamente, dirigiu-se à pequena escada, sentou-se no degrau mais baixo, retirou da bolsa um envelope e me entregou. Não aguardou que eu abrisse, molhou mais os olhos e me abraçou, o resultado era positivo para a doença, e ela sabia que não teria muito tempo de vida. Eu poderia contar com a discrição da escada, jamais revelaria o temor que assolava minha melhor amiga.
Entre nós três, naquele momento, formou-se um pacto, nós duas e a escada, ainda nos encontramos muitas vezes para desabafar os medos e as angústias, ela da doença, eu dos tormentos, a escada do temor de não ser mais tratada como uma confidente.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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