Escândalo no Corinthians: auditoria revela desvio de uniformes e aponta vice-presidente

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Lincoln Vargas
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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Uma auditoria interna realizada no Corinthians revelou uma série de irregularidades e desvios de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. O relatório, assinado por Marcelo Munhoes, diretor de Tecnologia do Timão, aponta sete falhas graves na gestão do almoxarifado e cita diretamente o vice-presidente Armando Mendonça como figura central em ações sem controle ou registro formal.

Segundo o documento, houve retirada indevida de uniformes, ausência de inventário, distribuição desigual de itens e até indícios de que camisas foram desviadas por funcionários para o comércio clandestino.

Falta de controle e riscos fiscais

A auditoria foi motivada pelo aumento no volume de materiais recebidos pelo clube nos últimos anos. Apesar de o contrato atual com a Nike prever até R$ 4 milhões em produtos por ano, o Corinthians recebeu quase R$ 24 milhões em itens entre 2024 e 2025 — um crescimento de quase 300% sobre o acordado.

Entre as principais falhas apontadas no relatório estão:

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  • Ausência de inventário físico no almoxarifado há mais de quatro anos;

  • Notas fiscais não registradas no sistema contábil;

  • Distribuição desigual de uniformes entre atletas, funcionários e diretores;

  • Pedidos mal planejados à Nike e acúmulo de materiais antigos sem destinação;

  • Retiradas sem aprovação formal e por pessoas não autorizadas.

Essas práticas colocam o clube em risco de inconsistências contábeis e penalidades fiscais, segundo o documento.

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Vice-presidente na mira da investigação interna

O relatório afirma que Armando Mendonça, vice-presidente e responsável pela administração dos materiais, teria realizado retiradas diretas de uniformes sem qualquer tipo de controle. Além disso, o dirigente teria demonstrado comportamento hostil com a equipe de auditoria, usando “expressões de natureza agressiva e alusões interpretadas como ameaças”.

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Há também relatos de que materiais em más condições foram enviados para uso de categorias de base, enquanto os setores administrativos mantinham acesso privilegiado aos uniformes.

Contexto: contrato bilionário com a Nike

As denúncias ganham ainda mais relevância diante do novo contrato assinado entre Corinthians e Nike, válido de 2026 a 2035. O acordo prevê o fornecimento de até 60 mil itens por ano, com valores que podem atingir R$ 1,3 bilhão ao longo do período, dependendo de metas esportivas.

A expectativa é que a reformulação do contrato traga também maior controle interno e transparência, especialmente após os escândalos expostos pela auditoria.

Até o momento, o clube não se pronunciou oficialmente sobre possíveis sanções ou mudanças na gestão dos materiais esportivos.

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