À primeira vista passariam desapercebidas, insignificantes seres inseridas na paisagem. A vida seguiria sem elas. Pessoas correndo, apressadas no tempo que não se apieda de quem lhe persegue. Carros se esgueirando no cruzamento. Gente que não cederia ao impulso de olhar para chão. Por entre o pavimento, aquela carreira ordenada fez parar para atenção. Trajetória sempre uniforme, nada mais importava do que seguir e carregar, carregar e seguir.
Algumas portavam pedaços de folhas a cambalear para o que nada pesava sob nosso olhar. Farta disposição em se alinhar e carregar. E não importa se o ano começa ou termina. Não faz diferença se a política estimula ou desanima, tanto faz se a cidade progride ou definha, na natureza elas seguem sua sina.
O olhar contemplativo me fez pequena, raquítica para me comparar à grandeza delas. Os séculos seguem e se sucedem e as formigas permanecem a transportar algo muito mais pesado do que elas. O canteiro da praça central jamais será o final de sua lida.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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