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Fardo, por Renata Régis Florisbelo

À primeira vista passariam desapercebidas, insignificantes seres inseridas na paisagem. A vida seguiria sem elas. Pessoas correndo, apressadas no tempo que não se apieda de quem lhe persegue. Carros se esgueirando no cruzamento. Gente que não cederia ao impulso de olhar para chão. Por entre o pavimento, aquela carreira ordenada fez parar para atenção. Trajetória […]

Fardo, por Renata Régis Florisbelo
Fardo, por Renata Régis Florisbelo
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À primeira vista passariam desapercebidas, insignificantes seres inseridas na paisagem. A vida seguiria sem elas. Pessoas correndo, apressadas no tempo que não se apieda de quem lhe persegue. Carros se esgueirando no cruzamento. Gente que não cederia ao impulso de olhar para chão. Por entre o pavimento, aquela carreira ordenada fez parar para atenção. Trajetória sempre uniforme, nada mais importava do que seguir e carregar, carregar e seguir.

Algumas portavam pedaços de folhas a cambalear para o que nada pesava sob nosso olhar. Farta disposição em se alinhar e carregar. E não importa se o ano começa ou termina. Não faz diferença se a política estimula ou desanima, tanto faz se a cidade progride ou definha, na natureza elas seguem sua sina.

O olhar contemplativo me fez pequena, raquítica para me comparar à grandeza delas. Os séculos seguem e se sucedem e as formigas permanecem a transportar algo muito mais pesado do que elas. O canteiro da praça central jamais será o final de sua lida.

Autoria: Renata Regis Florisbelo

Leia também: Sem medo, por Renata Régis Florisbelo

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Renata Regis Florisbelo
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Renata Regis Florisbelo
É escritora, autora de 16 livros (o 17º já esta em trabalho de parto) e catalisadora cultural. Divulga poemas curtos, diariamente, nas redes sociais desde 2014. Tem mais de 690 textos publicados nos veículos de comunicação dos Campos Gerais, incluindo os vídeos com leituras interpretativas autorais produzidos para o BNT. É integrante da Academia de Letras dos Campos Gerais, do Centro Cultural Professor Faris Michaele (atual presidente), da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes, do Centro de Letras do Paraná e patronesse da Academia de Letras do Centro do Paraná. Encontra na arte seu nicho por onde desvelar seu melhor olhar para o mundo.
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