Hycom detalha projeto de indústria de amônia verde de US$ 638 milhões em PG
Hycom detalha projeto de indústria de amônia verde em Ponta Grossa, com investimento de US$ 638 milhões e previsão de 750 empregos diretos.

A diretoria da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) conheceu nesta semana novos detalhes do projeto da Hycom, indústria de amônia verde que será instalada em Ponta Grossa. O empreendimento prevê investimento de US$ 638 milhões e tem início de operação projetado para julho de 2029.
A apresentação foi realizada pelo empresário Ricardo Salcedo, durante a reunião semanal da diretoria da entidade, na segunda-feira (10). No encontro, foram apresentados dados técnicos, etapas já concluídas e o cronograma previsto para a implantação da unidade nos Campos Gerais.
Projeto é apontado como pioneiro
Durante a reunião, Salcedo destacou a dimensão e o caráter inovador da futura planta industrial. Segundo o empresário, ainda não existe em funcionamento uma fábrica de amônia verde com o mesmo porte projetado para Ponta Grossa.
“Não tem nenhuma fábrica desse porte no mundo ainda rodando”, afirmou.
O diretor de Indústria da ACIPG, Paulo Pinto, que articulou a participação do empresário na reunião, destacou a importância de aproximar o setor produtivo local das discussões relacionadas ao empreendimento.
“Olha a qual patamar Ponta Grossa vai. É extremamente importante essa vinda. É uma novidade para nós, poucos conhecem o assunto, e esse foi um dos motivos que me fez convidar o Ricardo. Acho que, com todos os diretores entendendo do que se trata, fica tudo muito mais fácil”, declarou.
Como será a indústria da Hycom
A Hycom é uma empresa brasileira voltada à produção de combustíveis renováveis de origem não biológica, conhecidos pela sigla em inglês RFNBOs, com atuação direcionada à redução das emissões de carbono na cadeia energética.
O projeto Hycom Brasil prevê a implantação de uma unidade de produção de amônia verde a partir do chamado hidrogênio verde, produzido por meio da eletrólise da água utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis.
Conforme os dados apresentados pela empresa, a planta terá capacidade para produzir aproximadamente 500 mil toneladas de amônia por ano, utilizando cerca de 90 mil toneladas anuais de hidrogênio verde.
O projeto estima ainda consumo de aproximadamente 720 MWh/h de energia elétrica e utilização de 220 litros de água por segundo nos processos de eletrólise, purificação e síntese da amônia.
Durante a fase de operação, a expectativa é de geração de aproximadamente 750 empregos diretos.
A produção terá como principal destino o mercado internacional. A proposta é aproveitar a elevada participação das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira como vantagem competitiva na fabricação de produtos com menor emissão de carbono.
A amônia verde é considerada uma alternativa para reduzir emissões em diferentes setores. Além do uso na fabricação de fertilizantes, o produto é estudado internacionalmente como combustível para embarcações e outras atividades de difícil descarbonização.
Produção está prevista para 2029
O cronograma apresentado pela Hycom contempla etapas entre 2025 e 2029, com previsão de início da produção em julho de 2029.
Entre os procedimentos já concluídos ou em andamento estão a definição da área onde a indústria será instalada, tratativas relacionadas a incentivos fiscais municipais, elaboração do termo de referência ambiental, outorga prévia para utilização de água e licença ambiental preliminar.
Também foram realizados ou iniciados levantamentos arqueológicos e topográficos, além de cotações para aquisição dos equipamentos necessários à implantação da unidade.
As negociações envolvendo contratos de fornecimento de energia e a conexão da fábrica ao sistema elétrico ainda estão em andamento, paralelamente ao desenvolvimento das etapas de engenharia.
ACIPG destaca impacto para Ponta Grossa
Para o presidente da ACIPG, Leonardo Puppi Bernardi, a implantação do empreendimento coloca Ponta Grossa mais próxima de setores relacionados à transição energética, sustentabilidade e economia de baixo carbono.
“Ricardo, por onde ele passa, está ligado a grandes projetos que sempre trazem inovação e riqueza para onde ele atua. A gente ouvia falar de temas como este como algo muito longe da nossa realidade. Energia limpa, ESG, crédito de carbono, tudo era muito distante, mas agora começou a estar aqui no nosso quintal, uma indústria de ponta, e é o que a gente vai começar a ver”, afirmou.
A entidade informou que pretende acompanhar o desenvolvimento do projeto e aproximar o empresariado de Ponta Grossa e dos Campos Gerais das oportunidades que poderão surgir com a implantação da indústria.
A ACIPG representa empresas de diferentes setores de Ponta Grossa e região, atuando na defesa dos interesses do setor produtivo e em ações voltadas ao fortalecimento do ambiente empresarial local.
Veja mais
























