Infraestrutura com método: a base que sustenta o crescimento de Ponta Grossa
Ponta Grossa avança em obras, pavimentação, transporte, aeroporto e planejamento urbano, com mais de R$ 600 milhões mobilizados em infraestrutura

Ponta Grossa nasceu como entroncamento: lugar de passagem, de pouso, de rotas que se cruzavam e decidiam para onde a região ia crescer. Séculos depois, a cidade segue sendo definida por seus caminhos — só que agora somos nós que os desenhamos, em vez de simplesmente segui-los. É essa a lógica que orienta o trabalho da Secretaria de Infraestrutura nos últimos anos: cuidar da base antes que a cidade a cobre. Reformulamos a malha viária, modernizamos o transporte coletivo, reordenamos o crescimento urbano a partir de eixos estruturantes, ampliamos a conectividade aérea da cidade e passamos a tratar os fundos de vale que cortam nossos bairros como patrimônio ambiental, não como fundo de quintal. São frentes distintas, conduzidas por equipes e contratos diferentes, mas movidas por um único propósito: uma cidade maior, melhor e mais humana só se sustenta sobre uma infraestrutura planejada, tecnicamente responsável e pensada para durar — nunca improvisada.
Asfalto com ciência.
Em 2021, ao assumirmos a pasta, fizemos algo que a cidade nunca tinha feito de forma sistemática: mapeamos rua por rua, bairro por bairro, o tamanho real do problema. O resultado foi uma malha viária de cerca de 2.000 quilômetros, dos quais aproximadamente 500 quilômetros — um quarto da cidade — ainda sem uma camada sequer de pavimento. A partir desse diagnóstico nasceu o programa Asfalto 100%, estruturado sobre um tripé que se tornou nossa forma de trabalhar: universalização do acesso, para que nenhum bairro fique de fora; projetos técnicos sólidos, que resistam ao tempo e à fiscalização; e fontes de recurso diversificadas, para não depender de uma única linha de financiamento. Hoje somamos recursos do FINISA, convênios com o Governo do Estado, financiamento do BRDE e do BID, contrapartida da Itaipu, recursos próprios e convênios federais — um mosaico de mais de R$ 600 milhões mobilizados entre obras entregues, em execução, em licitação e em fase de projeto. A cobertura da cidade já está na casa dos 90%, e a meta é objetiva: concluir 100% dos projetos até o fim de 2026 e entregar 100% das obras até 2028.
Mas asfaltar não é só espalhar massa sobre a terra. Passamos a controlar tecnicamente cada camada do pavimento antes de ela desaparecer sob o asfalto. Implantamos um laboratório de controle tecnológico próprio, que realiza ensaios de solo, de agregados e de massa asfáltica antes, durante e depois da execução de cada obra — verificando compactação, granulometria, teor de ligante, tudo o que decide se uma rua vai durar cinco anos ou vinte. Fazemos asfalto com ciência: cada quilômetro pavimentado carrega, por trás da superfície que se vê, um dossiê técnico que garante durabilidade e evita que a cidade pague duas vezes pela mesma obra. É engenharia no sentido mais literal da palavra, aplicada a algo tão cotidiano quanto a rua em frente a cada casa.
Transporte coletivo mais moderno e mais transparente.
Desde 2021, trabalhamos para modernizar, de ponta a ponta, o sistema de transporte coletivo do município. Implantamos a bilhetagem por aproximação, que permite pagamento por cartão de débito e crédito diretamente no veículo — uma mudança simples na rotina do passageiro, mas que exigiu reformular toda a arquitetura tecnológica do sistema por trás dela. O resultado veio em forma de reconhecimento nacional: Ponta Grossa conquistou o 1º lugar entre as cidades de até 400 mil habitantes no Prêmio EMV de Transporte, na categoria “Pagamento por Aproximação”, dentro do ranking “Maiores & Melhores do Transporte 2025” — um selo de que a modernização que fizemos aqui está entre as mais avançadas do país.
Também abrimos a caixa-preta do sistema. Lançamos o Portal da Transparência do transporte coletivo, disponibilizando ao público dados operacionais sobre um serviço que, historicamente, foi um dos temas mais questionados — e menos compreendidos — da cidade. Nele, qualquer cidadão pode acompanhar como o sistema funciona por dentro. Nessa mesma linha de clareza, separamos formalmente a tarifa técnica, que representa o custo real de operar o sistema, da tarifa pública, que é o valor efetivamente pago pelo usuário. Essa distinção, hoje explícita, é uma mudança de governança: ela deixa claro para a população qual é o custo verdadeiro de manter os ônibus rodando e qual é o investimento público que sustenta políticas sociais como o passe livre estudantil, hoje uma das maiores garantias de mobilidade para os jovens da cidade.
Uma cidade que se organiza para crescer.
Infraestrutura não é só consertar o que já existe — é decidir, com antecedência, para onde a cidade vai. Por isso tratamos o crescimento urbano como algo a ser conduzido, não apenas absorvido depois que já aconteceu de forma desordenada. De um lado, seguimos consolidando os eixos estruturantes já previstos no Plano Diretor (eixos a confirmar), dando continuidade a um planejamento que atravessa gestões porque faz sentido técnico. De outro, abrimos eixos inteiramente novos, que preparam bairros para um crescimento que ainda vai acontecer: a Rua Edilson Araújo, no Cará-Cará e no Parque dos Pinheiros, e a Ligação Anita Garibaldi, que costura os bairros Orfãs e Boa Vista, antes separados por um vazio urbano. Em ambos os casos, a lógica é a mesma — abrir o caminho antes que a ocupação se consolide de forma espontânea e desordenada. É o inverso do padrão que marcou boa parte da história recente da cidade, em que o bairro chegava primeiro e a infraestrutura, décadas depois, tentava alcançá-lo.
Aeroporto: preparando o próximo salto.
Também avançamos numa frente que muda a escala das conexões da cidade: o aeroporto de Ponta Grossa. Está em obras a construção do novo Terminal de Passageiros (TPS), do pátio de aeronaves e da taxiway, um investimento superior a R$ 30 milhões que vai habilitar o aeroporto à categoria 3C — um salto que amplia o porte das aeronaves e o volume de operações que a cidade passa a poder receber. Em paralelo, incluímos o aeroporto no Programa Ampliar, do governo federal, que prevê a concessão de aeroportos regionais à iniciativa privada. É um movimento que projeta Ponta Grossa para um novo patamar de conectividade aérea, coerente com o papel de entroncamento logístico que a cidade sempre exerceu.
Infraestrutura que cuida do ambiente.
Há também uma frente menos visível, mas igualmente estratégica: o cuidado com os fundos de vale que atravessam os bairros de Ponta Grossa, historicamente ocupados de forma precária e tratados como fundo de quintal da cidade. Em parceria com a Universidade Livre do Meio Ambiente, desenvolvemos o Projeto Estratégico de Recuperação Socioambiental e Reurbanização de Fundos de Vale, um trabalho de pesquisa técnico-científica nas bacias hidrográficas dos arroios Olarias, Pilão de Pedra e Ronda. Desse esforço já nasceram anteprojetos de macrodrenagem e as chamadas Acupunturas Urbanas — intervenções pontuais, como praças, marcos e passarelas, que devolvem à população espaços de convívio junto a áreas que, por muito tempo, a cidade preferiu esquecer. É infraestrutura no sentido mais amplo do termo: não apenas escoar água ou pavimentar ruas, mas recuperar, para as pessoas, partes da cidade que a própria cidade tinha deixado de lado.
Visão de futuro.
Com a meta de universalizar o acesso à infraestrutura viária se aproximando do horizonte — o 100% de asfalto —, é natural que a cidade comece a olhar para o desafio seguinte: as ligações entre bairros e a duplicação dos grandes eixos estruturantes, já definidos no Plano de Mobilidade Urbana. É a continuação do mesmo raciocínio: depois que toda rua tiver pavimento, a pergunta passa a ser como essas ruas se conectam entre si e como os grandes corredores da cidade absorvem um volume de tráfego que só cresce.
São várias frentes de uma mesma engenharia — pavimentar com técnica, modernizar o transporte com transparência, ordenar o crescimento com eixos planejados, ampliar a conectividade aérea e cuidar do ambiente que atravessa nossos bairros — mas todas nascem do mesmo compromisso: o de tratar a infraestrutura não como obra isolada, mas como a espinha dorsal silenciosa que sustenta tudo o que a cidade quer ser. Foi por rotas e caminhos que Ponta Grossa se formou. É por rotas e caminhos, agora planejados com método, ciência e visão de futuro, que ela segue se tornando maior, melhor e mais humana.
Artigo do secretário Luiz Henrique Honesko para o livro “PG 203 anos: Da rota dos tropeiros aos trilhos da inovação”
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