Lula afirma que Brasil vai “vencer os EUA na narrativa” e defende reciprocidade
Presidente diz que tarifas norte-americanas foram fundamentadas em informações falsas e cobra respeito à soberania brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14) que o Brasil pretende “vencer os Estados Unidos na narrativa” diante das acusações e das tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. A declaração ocorreu durante entrevistas concedidas aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Segundo Lula, o governo brasileiro possui argumentos para contestar as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos na adoção das restrições comerciais. O presidente também confirmou que o Brasil iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
“O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse: com mentiras ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa. Eles taxaram o Brasil com base em mentiras”, declarou.
O presidente ressaltou que pretende preservar uma relação diplomática com os Estados Unidos, mas defendeu uma resposta proporcional às medidas adotadas contra o país. Conforme Lula, o uso da reciprocidade serve para demonstrar que o Brasil exige tratamento equivalente nas relações internacionais.
Brasil inicia processo de reciprocidade
O governo brasileiro informou na quinta-feira (13) que deu início ao processo para avaliar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. A decisão ocorre após a aplicação de novas tarifas norte-americanas sobre produtos exportados pelo Brasil.
Sancionada em 2025, a Lei da Reciprocidade Econômica permite que o governo brasileiro adote restrições, tarifas ou medidas semelhantes às impostas por outro país. Antes de uma eventual retaliação, o procedimento prevê análises técnicas e consultas diplomáticas.
Lula atribuiu parte da tensão a integrantes do governo dos Estados Unidos que, na avaliação dele, mantêm posições hostis em relação ao Brasil e a outros países da América Latina. Apesar das críticas, o presidente descartou a intenção de ampliar o conflito.
“Não quero guerra, eu quero discutir com seriedade”, afirmou.
O petista também contestou alegações relacionadas à compra de produtos provenientes de trabalho escravo e à atuação brasileira no combate ao desmatamento. Para ele, as acusações utilizadas para justificar as restrições não correspondem à realidade do país.
Lula quer conversa direta com Trump
Durante a entrevista, Lula afirmou que deseja conversar diretamente, por telefone, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o brasileiro, os dois mantêm uma relação institucional respeitosa, que deve ser preservada entre as maiores democracias do continente.
Lula adiantou, entretanto, que pretende pedir a Trump que não interfira nas eleições brasileiras de 2026.
“Vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição. Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?”, questionou.
Candidato à reeleição, Lula tem ampliado sua participação em podcasts e plataformas digitais com o objetivo de alcançar públicos mais jovens. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão está prevista para começar em 28 de agosto. O presidente também iniciou nesta quinta-feira (13) as gravações dos primeiros conteúdos de sua campanha.
























