Mabel acusa Prefeitura de atacar igrejas; secretário reage em vídeo
Deputada acusa Prefeitura de “atacar as igrejas”; secretário de Cultura rebate críticas e afirma que preservação do patrimônio histórico é dever do poder público

O debate sobre o tombamento de igrejas e templos religiosos em Ponta Grossa ganhou um novo capítulo e ultrapassou os limites da Câmara Municipal. Após a discussão realizada durante a sessão legislativa desta segunda-feira (13), a polêmica migrou para as redes sociais, onde a deputada Mabel Canto e o secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, protagonizaram uma troca pública de posicionamentos sobre a preservação do patrimônio histórico religioso da cidade.
O embate ocorre em meio à tramitação do Projeto de Lei nº 442/2025, de autoria do vereador Pastor Ezequiel Bueno, que estabelece que igrejas e demais templos religiosos somente poderão ser tombados pelo município mediante autorização expressa da instituição responsável pelo imóvel. A proposta divide opiniões entre representantes das igrejas e a administração municipal.
Mabel Canto critica Prefeitura em vídeo
Horas depois da sessão na Câmara, Joce Canto publicou um vídeo gravado em frente à Catedral Sant’Ana. Na gravação, a parlamentar afirma que a Prefeitura estaria promovendo um “ataque” às igrejas ao conduzir processos de tombamento sem a concordância das instituições religiosas.
“A Prefeitura de Ponta Grossa resolveu atacar as nossas igrejas com o tombamento da nossa Catedral e de mais igrejas da nossa cidade, e tudo isso sem a concordância da Diocese.”
A deputada também lembrou a participação do bispo da Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari, durante a Tribuna Livre da Câmara, quando pediu que os processos de tombamento fossem suspensos até que houvesse um debate mais amplo sobre o tema.
Segundo Joce, embora a preservação do patrimônio histórico seja importante, as próprias comunidades religiosas já exercem esse papel de forma permanente. “As igrejas cuidam do seu patrimônio, preservam suas características e sabem da importância histórica desses espaços”, afirmou ela.
Ela ainda afirmou que o tombamento poderá criar entraves para obras de manutenção e conservação.
Ao final da gravação, a parlamentar fez um apelo para que a Prefeitura reveja sua posição. “Como católica e como representante da população de Ponta Grossa, peço que a Prefeitura volte atrás nesse tombamento”, disse ela.
Secretário reage e cita antiga Catedral
A declaração repercutiu rapidamente e motivou uma resposta do secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, que publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a atuação da pasta e reforçando os argumentos apresentados durante sua participação na Tribuna Livre da Câmara Municipal.
Portugal negou que exista qualquer tentativa de interferência na atuação das igrejas e afirmou que o tombamento é um instrumento técnico voltado exclusivamente à preservação da memória histórica da cidade.
Durante sua manifestação, o secretário utilizou como principal exemplo a demolição da antiga Catedral Sant’Ana, ocorrida décadas atrás. “A antiga Catedral é um exemplo. Infelizmente perdemos um ponto histórico da cidade. Não estou criticando a nova estrutura, mas não precisava demolir uma obra tão importante”, disse ele.
Segundo ele, o objetivo do tombamento não é impedir o uso dos imóveis, mas preservar suas características arquitetônicas e culturais para as futuras gerações. Portugal também exemplificou situações que poderiam descaracterizar edificações históricas caso não haja proteção legal.
“Imagine que daqui a 50 anos alguém queira instalar um painel de LED na fachada de uma igreja histórica. O tombamento existe justamente para evitar que esse patrimônio perca suas características originais”, disse o secretário.
Ao encerrar sua fala, o secretário fez um apelo aos vereadores para que reflitam sobre a importância da preservação do patrimônio. “Quando isso parecer absurdo, lembrem que a Catedral de Ponta Grossa foi derrubada”, afirmou.
Debate começou na Câmara
A troca de vídeos tem origem na discussão realizada durante a sessão da Câmara Municipal, quando representantes da Diocese, da Secretaria Municipal de Cultura e o autor da proposta apresentaram argumentos sobre o projeto.
Representando a Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari afirmou que a Igreja não é contrária à preservação do patrimônio histórico, mas entende que a legislação atual já oferece mecanismos suficientes para proteger os templos religiosos.
Segundo o bispo, qualquer obra ou demolição já depende da autorização dos órgãos competentes, tornando desnecessária uma nova exigência de tombamento.
Já o vereador Pastor Ezequiel Bueno, autor do projeto, afirmou que a proposta busca garantir que qualquer decisão envolvendo igrejas seja construída em conjunto com as instituições responsáveis pelos imóveis, preservando a autonomia das comunidades religiosas.
Duas visões sobre a preservação
De um lado, a Secretaria Municipal de Cultura defende que imóveis históricos possuem relevância coletiva e que o município deve manter instrumentos legais capazes de proteger construções que representam parte da identidade cultural da cidade, independentemente de quem seja o proprietário.
Do outro, representantes da Igreja Católica, lideranças evangélicas e parlamentares favoráveis ao projeto entendem que as próprias instituições religiosas têm compromisso permanente com a conservação de seus templos e que qualquer medida relacionada ao tombamento deve ocorrer apenas com sua anuência.
Projeto segue em tramitação
O Projeto de Lei nº 442/2025 continua tramitando na Câmara Municipal de Ponta Grossa e ainda deverá passar pelas próximas etapas regimentais antes de ser apreciado em plenário.























