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Política

Moraes pede vista e trava julgamento sobre privatização da Celepar no STF

Novo pedido interrompe análise no Supremo; processo de venda da estatal paranaense continua suspenso

Moraes pede vista e trava julgamento sobre privatização da Celepar no STF
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e interrompeu novamente o julgamento que discute a privatização da Celepar (Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná). Com o pedido, feito nesta sexta-feira (7), a análise fica suspensa enquanto o ministro examina o processo.

Na prática, a medida mantém o impasse em torno da venda da estatal de tecnologia do Paraná. Enquanto não houver nova deliberação do Supremo, permanece válida a decisão cautelar do ministro Flávio Dino, que havia suspendido o processo de desestatização. Pelas regras do STF, pedidos de vista têm prazo de até 90 dias para devolução dos autos, embora o julgamento possa ser retomado antes.

Processo já havia sido interrompido no STF

Esta não é a primeira vez que o julgamento sofre uma interrupção. Em 6 de março de 2026, o ministro Cristiano Zanin também pediu vista do processo, pouco depois do início da análise da decisão de Flávio Dino pelo plenário virtual.

Na ocasião, Zanin também tinha prazo de até 90 dias para examinar a ação. Enquanto o processo esteve sob análise, o leilão da Celepar continuou impedido de avançar. A discussão ocorre dentro da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7896, apresentada pelo PT e pelo PSOL. Os partidos questionam a legislação estadual que autorizou a venda do controle da empresa.

Entre os principais pontos levantados está a preocupação com a proteção dos dados mantidos pela companhia. A Celepar administra sistemas estratégicos utilizados pelo Governo do Paraná e mantém uma grande quantidade de informações relacionadas aos cidadãos, envolvendo áreas como saúde, trânsito, tributação e serviços públicos.

Privatização foi suspensa por Flávio Dino

O processo de privatização foi interrompido inicialmente por decisão de Flávio Dino, em fevereiro deste ano. O ministro entendeu que a transferência da estatal para a iniciativa privada exige garantias específicas relacionadas à segurança e à proteção de dados pessoais. A decisão determinou a suspensão do leilão enquanto determinadas exigências não fossem atendidas.

O leilão estava previsto inicialmente para 17 de março de 2026. Documentos da própria Celepar registram que o valor econômico mínimo previsto para a alienação era de aproximadamente R$ 1,304 bilhão. Dino argumentou que a operação não representa apenas uma mudança societária, já que envolve uma empresa responsável pela guarda e pelo processamento de informações estratégicas do poder público e dos cidadãos paranaenses.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, já havia defendido a manutenção da suspensão do processo enquanto as questões levantadas na ação fossem analisadas pelo Supremo.

Venda da Celepar segue sem definição

A autorização para a desestatização da Celepar foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em 2024, por meio da Lei Estadual nº 22.188/2024. Desde então, o Governo do Paraná avançou nos estudos e procedimentos necessários para a venda da companhia, mas o processo passou a enfrentar questionamentos tanto no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) quanto no STF.

Em abril, o próprio Tribunal de Contas decidiu aguardar uma definição do Supremo antes de dar andamento ao julgamento relacionado à desestatização. Agora, com o pedido de vista apresentado por Alexandre de Moraes, o julgamento volta a ficar sem conclusão. Até que o processo seja retomado e o STF tome uma nova decisão, a privatização da Celepar permanece suspensa.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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