A cama não era pequena e um generoso espaço depois do fim abrigava os pés dele. Fosse verão ou inverno tais pés estariam desnudos para fora da cama. E o mais marcante é que interagiam entre si, esfregando-se mutuamente, até que o estranho som no meio da noite me fizesse acordar. Corpo coberto e os pés desnudos, mesmo quando no alto inverno poderiam ser congelados. Mas não congelavam, ao contrário, coisa misteriosa os mantinha muito quentes.
E no susto pela atrição, no som qual distorcida canção eu me animava. O calor, o êxtase de torpor saltava dele para o meu corpo. Mas, certa vergonha, eu tratava de silenciar, deixar que aquele corpo quente acordasse, se aninhasse e comigo ficasse. Ah sim! Tão quentinho, ondas de carinho, emoção e a temperatura em elevação vinham contagiar meu corpo… Seus pés, bailarinos entusiasmados, às vezes desengonçados e sempre apaixonados. Minha memória guarda e venho lhe contar que o fim daquela cama, para mim, nunca vai acabar.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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