Às vezes me pergunto se aquilo que acaba realmente acaba? Simples: se finalmente acabou, por que em minha mente ficou? Um fim que não tem fim em si, mas que carrega uma lembrança que não se esvai. E o “quando tudo terminou” que também para sempre marcou. “Para sempre”, como se nossa questão aqui é o que termina? Um ciclo vicioso entre o que foi e o que fica. A maçã que se foi na última mordida, aquela cujo sabor ficou na minha boca.
Sendo assim nada tem fim. Um poema nunca termina, poderia eu juntar todos ao infinito e não importa quanta gente se misture, todos marcam, somem, desmarcam e voltam a jamais se apartar. O cheiro das laranjeiras floridas que não existem mais, arrancadas pelo peso da casa desabitada, por fim demolida, jamais esquecida, na memória reerguida. O perfume acabou, mas nas narinas se perpetuou. Histórias, por onde tanta vida passou e eu fiquei, ninguém nem nada marquei. Inda sim sei que jamais esquecerei. Por onde passei e mesmo onde jamais pisei…
Autoria: Renata Regis Florisbelo



















