Rombo do governo central chega a R$ 90,2 bilhões em setembro
O governo central acumulou déficit de R$ 90,2 bilhões até setembro, mas o mês fechou com superávit de R$ 4,8 bilhões. A arrecadação cresceu acima das despesas, impulsionada por Imposto de Renda e royalties.

O governo central registrou um déficit acumulado de R$ 90,2 bilhões até setembro, conforme dados divulgados nesta quinta-feira. Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, o mês de setembro apresentou superávit de R$ 4,8 bilhões, revertendo o déficit de R$ 14,4 bilhões observado no mesmo período de 2025. O desempenho superou a mediana das expectativas do Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, que indicava déficit de R$ 7,5 bilhões para o mês.
A melhora foi impulsionada pelo crescimento da arrecadação, que superou o avanço das despesas. Em termos reais, descontada a inflação, a receita líquida aumentou 6,5%, o equivalente a R$ 115,6 bilhões, enquanto os gastos cresceram 5,4%, ou R$ 102,1 bilhões. Esse descompasso favorável entre receitas e despesas ajudou a conter o rombo no acumulado do ano.
Previdência pressiona contas federais
O resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central foi superavitário em R$ 213,1 bilhões. Já o RGPS (Regime Geral de Previdência Social) apresentou déficit de R$ 303,2 bilhões, principal fator de pressão sobre as contas federais. As despesas previdenciárias cresceram R$ 31,7 bilhões em termos reais, alta de 3,8%, impulsionadas pelo aumento do número de beneficiários e pela política de valorização do salário mínimo.
Além da Previdência, houve crescimento de R$ 27,7 bilhões nas despesas discricionárias, principalmente nas áreas de Saúde e Educação, e de R$ 20,6 bilhões nos créditos extraordinários, associados às medidas para reduzir os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio. Esses gastos adicionais explicam parte do déficit acumulado, mesmo com o bom desempenho da arrecadação.
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Receitas crescem com impostos e royalties
Do lado das receitas, os principais avanços vieram do Imposto de Renda, com aumento real de R$ 27 bilhões, das receitas de exploração de recursos naturais, com R$ 23,8 bilhões, e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com R$ 12,2 bilhões. A receita líquida cresceu 13,6% em termos reais na comparação anual, enquanto as despesas aumentaram 2,4%.
Esse crescimento robusto da arrecadação reflete a recuperação da atividade econômica e a alta nos preços de commodities, que elevaram os royalties de recursos naturais. O Imposto de Renda também foi beneficiado pelo aumento da massa salarial e pelo desempenho das empresas, que registraram lucros maiores no período.
Superávit mensal surpreende analistas
O superávit de setembro, de R$ 4,8 bilhões, veio bem acima do esperado pelo mercado. A mediana das projeções do Prisma Fiscal apontava déficit de R$ 7,5 bilhões, o que indica uma melhora significativa nas contas públicas no curto prazo. Esse resultado foi possível graças ao forte crescimento da receita no mês, que compensou o aumento das despesas obrigatórias.
A reversão em relação ao déficit de setembro de 2025, de R$ 14,4 bilhões, mostra uma trajetória de recuperação fiscal, embora o acumulado do ano ainda seja deficitário. O governo aposta na continuidade do crescimento da arrecadação para reduzir o rombo até o fim do ano, mas os gastos com Previdência e créditos extraordinários seguem como desafios.
Impacto para o cidadão e próximos passos
Para o cidadão comum, o déficit público pode afetar a inflação e os juros, pois o governo precisa financiar o rombo emitindo títulos da dívida. No entanto, o superávit mensal e o crescimento da receita são sinais positivos de que as contas estão se ajustando. Ainda assim, a pressão da Previdência exige atenção, pois o envelhecimento da população tende a aumentar os gastos no futuro.
O governo deve continuar monitorando a arrecadação e buscando formas de conter despesas, especialmente as discricionárias. A expectativa é que o resultado do próximo mês confirme a tendência de melhora, mas o cenário externo, com os conflitos no Oriente Médio, pode trazer volatilidade. O Portal Boca no Trombone seguirá acompanhando os desdobramentos das contas públicas e seus impactos na economia.
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