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Política

Senado analisa marco legal para cannabis medicinal; parecer é favorável

Proposta pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), a iniciativa estabelece um marco legal para o setor, contemplando regras de cultivo, produção, importação e comercialização de cannabis

Senado analisa marco legal para cannabis medicinal; parecer é favorável
Agência Senado
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Com a retomada dos trabalhos em fevereiro, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA) deve analisar uma série de projetos que já estão prontos para votação. Entre eles está o PL 5.511/2023, que regulamenta o uso medicinal de produtos derivados da cannabis.

Proposta pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), a iniciativa estabelece um marco legal para o setor, contemplando regras de cultivo, produção, importação e comercialização de cannabis e seus derivados para fins exclusivamente medicinais, tanto para uso humano quanto veterinário. O texto determina ainda que qualquer produção dependerá de autorização prévia da autoridade federal competente.

Segundo o projeto, essa autorização poderá ser concedida a pessoas físicas que utilizem a substância por indicação médica, a seus responsáveis legais no caso de pacientes incapazes, a associações sem fins lucrativos de apoio a usuários e a produtores que atendam às exigências legais.

A proposta recebeu parecer favorável dois anos após sua apresentação e está pronta para votação na CRA. A relatoria é da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), que defende a aprovação do texto com alterações. Ela destaca que o projeto define parâmetros técnicos claros, como limites de THC (tetrahidrocanabinol), critérios de licenciamento, rastreabilidade e boas práticas agrícolas.

Mecanismos de controle

Para incluir ajustes e acréscimos, a relatora recomenda a aprovação da matéria na forma de um substitutivo. Dorinha afirma que o foco é a segurança, garantindo que toda produção autorizada não seja desviada para o mercado ilícito. Para isso, o substitutivo prevê mecanismos de controle considerados rigorosos.

Entre esses mecanismos, está a cota de cultivo, que vincula a produção à demanda legítima e respaldada por prescrição médica. Outro ponto é a exigência de um plano de segurança, que deverá incluir georreferenciamento, videomonitoramento e controle rígido de acesso às áreas de plantio e processamento.

Potencial agroindustrial

Além do caráter humanitário, Dorinha ressalta que a proposta representa uma oportunidade para o desenvolvimento agrícola e agroindustrial no Brasil. Segundo ela, a cannabis é uma cultura de ciclo curto e adequada à rotação de lavouras, com múltiplas aplicações — que vão de fibras têxteis e celulose a materiais de construção, alimentos, rações e insumos medicinais e veterinários não psicoativos.

A senadora lembra que países como Canadá, Estados Unidos, China e membros da União Europeia já investem nesse mercado, reconhecendo seu potencial econômico e ambiental. No Brasil, afirma, o clima favorável e o avanço da pesquisa agropecuária podem garantir competitividade, desde que haja segurança jurídica para cultivo e processamento.

— Estamos falando de uma oportunidade concreta de diversificação produtiva, com geração de renda no campo, inovação tecnológica e respeito aos limites legais e sanitários — destacou a relatora durante reunião na CRA. (As informações são da Agência Senado)

Leia também Senado: propostas sobre aborto, Libras, terras da União e maioridade penal aguardam pauta

Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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