Senador Ciro Nogueira é alvo da PF em operação que investiga pagamentos ligados ao Banco Master

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Nilson de Paula
Nilson de Paulahttp://www.bntonline.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela mesma instituição e produtor cultural. Atua como pesquisador das rotinas e das produções jornalísticas, com foco em relações étnico-raciais, história e política, articulando comunicação, análise social e práticas culturais em sua trajetória profissional e acadêmica.
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O senador Ciro Nogueira, do PP, foi alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (7) durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos repasses financeiros realizados por empresários ligados ao Banco Master em troca de favorecimento político no Congresso Nacional.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão após investigadores identificarem uma relação considerada além da atividade política tradicional entre o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a PF, os indícios apontam para uma possível troca de benefícios financeiros por influência política em pautas de interesse da instituição financeira.

De acordo com as investigações, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Além disso, a Polícia Federal apura a aquisição de cotas societárias avaliadas em aproximadamente R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, o que levantou suspeitas sobre favorecimento econômico.

Outro ponto investigado envolve o uso gratuito e sem prazo determinado de um imóvel de luxo, além do custeio de viagens internacionais de alto padrão. Os benefícios, segundo a PF, fariam parte de um conjunto de vantagens concedidas ao senador durante o período analisado pela operação.

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As apurações mostram que os valores teriam sido operacionalizados por meio de empresas ligadas à família Vorcaro e à CNLF Empreendimentos, administrada por Raimundo Neto, irmão do senador e também alvo das medidas judiciais.

O nome de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, aparece como operador financeiro do esquema. Em mensagens interceptadas pela investigação, Felipe demonstra preocupação com a continuidade dos pagamentos. Em um dos diálogos analisados pela PF, ocorrido em junho de 2025, ele questiona se os repasses permaneceriam em R$ 500 mil ou seriam reduzidos para R$ 300 mil.

A investigação também aponta que o suposto apoio político incluiria atuação legislativa favorável aos interesses do Banco Master. Os investigadores afirmam que o banqueiro teria encaminhado ao senador um texto de emenda parlamentar elaborado para beneficiar diretamente a instituição financeira.

O caso amplia a pressão sobre o cenário político em Brasília e pode gerar novos desdobramentos no Congresso Nacional, principalmente em debates sobre transparência, financiamento político e influência empresarial em decisões legislativas.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar qualquer acusação de irregularidade envolvendo o parlamentar. Os advogados declararam que o senador permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e classificaram as medidas da operação como “invasivas”, alegando que as acusações estariam baseadas apenas em trocas de mensagens entre terceiros.

A defesa ainda informou que pretende questionar a legalidade da operação nas Cortes Superiores.

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