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Um terço das vítimas de acidentes de trabalho tem de 15 a 29 anos, por Rafael Mansani e José Leal

Homens jovens são os mais afetados por acidentes de trabalho, enquanto mulheres com empregos formais sofrem mais com transtornos mentais

Estudo realizado pela Fiocruz, mostra que os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos sofrem vários agravos à saúde por situações de violência, condições de trabalho e impactos na saúde mental. O levantamento traz resultados inéditos a partir de bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo revela que 30% dos acidentes de trabalho notificados no período ocorreram em jovens, principalmente homens. Também mostra que jovens são os que mais sofrem acidentes de trabalho com material biológico, em especial os trabalhadores da Saúde, que são majoritariamente mulheres.

Outro achado importante diz respeito à saúde mental das pessoas entre 15 e 29 anos: Transtornos mentais são a primeira causa de internação de homens nessa faixa etária, enquanto as mulheres com emprego estável e carteira assinada são as que mais notificam transtornos mentais relacionados ao trabalho, que resultam em afastamento temporário na metade das vezes.

Os dados de internação no SUS também revelam a grande quantidade de procedimentos de esterilização entre as mulheres jovens. Essa foi a principal causa de internação hospitalar de mulheres com 25 a 29 anos, um total de 152.637 procedimentos entre 2016 e 2022.

As mulheres jovens também aparecem como principais vítimas de violência, especialmente na adolescência. O dossiê mostra que 30% dos casos de violência atingiram jovens e que as faixas etárias mais novas são as mais vitimadas. Adolescentes de 15 a 19 anos têm uma taxa de ocorrência de violências duas vezes maior do que os jovens entre 20 e 29 anos em todas as regiões do Brasil, e 73% das vítimas jovens de violência são mulheres.

A pesquisadora Bianca Borges, da Escola Politécnica e uma das organizadoras do dossiê, destaca a importância do uso dessa base de dados para revelar situações que precisam receber mais atenção. “O recorte feito neste dossiê mostra o potencial de uso dos sistemas de informação do SUS para trazer informações relevantes para os gestores, profissionais de saúde e, inclusive, grupos sociais organizados. Afinal, informação em saúde é um direito.”

Rafael Gustavo Mansani

Engenheiro Civil, pós graduado em Gestão Pública, Mestrando em Eng. De Produção e Segurança do trabalho.

José Aparecido Leal

Engenheiro civil; Engenheiro de Segurança do Trabalho; Pós-Graduado em: Eng. Sanitária e Ambiental; MBA de Gestão de Eng. de Segurança do Trabalho; Ergonomia; Administração Aplicada à Segurança do Trabalho.

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