Projeto premiado fortalece vacinação infantil em Ponta Grossa
Projeto de vacinação segura em Ponta Grossa amplia cobertura vacinal, combate fake news e inspira municípios após prêmio nacional do SUS.

O projeto “Capicina e Zé Gotinha como Estratégia Educativa para Promoção da Vacinação Segura em Ponta Grossa”, reconhecido como a melhor experiência da Região Sul na 21ª Mostra “Brasil, Aqui Tem SUS”, segue gerando resultados positivos no município e já desperta o interesse de outras cidades brasileiras. Em entrevista ao BNT News, a enfermeira e gerente do Núcleo de Segurança do Paciente da Secretaria Municipal de Saúde, Jéssica Senger Marin, explicou como nasceu a iniciativa, destacou os impactos na cobertura vacinal e reforçou que o projeto continuará sendo ampliado nos próximos anos.
A estratégia recebeu reconhecimento durante o XXXIX Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), realizado em Porto Alegre (RS). Na ocasião, Jéssica recebeu, em nome da equipe, a medalha e o certificado entregues pelo Ministério da Saúde.
Apesar da homenagem, ela fez questão de destacar que o reconhecimento pertence a todos os profissionais envolvidos.
“Eu estou aqui representando, mas esse projeto não é meu. É do setor de imunização, da Secretaria de Educação e, principalmente, da Atenção Primária, que faz esse projeto acontecer.”
ESTRATÉGIA UNE EDUCAÇÃO, SEGURANÇA E COMBATE ÀS FAKE NEWS
Segundo Jéssica, o projeto foi criado para ir além da aplicação das vacinas, utilizando a educação em saúde como ferramenta para fortalecer a confiança da população na imunização.
“O projeto da Capicina e Zé Gotinha é uma estratégia de segurança do paciente para que a gente possa aumentar os índices de vacinação, combater as fake news e fazer com que o processo de administração das vacinas fique cada vez mais seguro e melhor.”
A criação da personagem Capicina surgiu após a percepção de que muitas crianças já não possuíam a mesma identificação com o tradicional Zé Gotinha.
“Quando eu me vesti de Zé Gotinha, percebi que as crianças já não tinham esse carinho que a nossa geração tinha. Depois da Covid, as fake news também atrapalharam muito as coberturas vacinais. Então criamos um mascote amigo do Zé Gotinha.”
A escolha da personagem aconteceu de forma participativa. As próprias crianças definiram que o mascote seria uma capivara, participaram da escolha do nome e desenvolveram desenhos e redações durante um concurso promovido nas escolas.
MAIS DE 60 AÇÕES E MAIS DE 4 MIL DOSES APLICADAS
Como resultado da iniciativa, a Secretaria Municipal de Saúde já realizou mais de 60 ações de vacinação em escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), com a aplicação de mais de 4 mil doses da vacina contra a influenza.
As atividades foram desenvolvidas com a participação das equipes da Atenção Primária, setor de imunização e Secretaria Municipal de Educação e continuarão sendo realizadas ao longo do ano.
Além das campanhas de vacinação, o projeto também envolveu professores, diretores, estudantes e familiares, promovendo ações educativas para conscientizar sobre a importância de manter o calendário vacinal atualizado.
IMPACTO DIRETO NA COBERTURA VACINAL
Jéssica afirma que os resultados já são percebidos na adesão da população às campanhas de vacinação.
“A gente teve um impacto bem grande na cobertura vacinal entre 2023 e 2024. As redações e os desenhos eram feitos em casa justamente para envolver as famílias e mostrar o quanto é importante combater as notícias falsas.”
Ela destaca que a iniciativa continuará crescendo e já prepara novas ações educativas.
“Esse projeto só tem a crescer. Este ano teremos a Capicina e o Zé Gotinha contra o vírus do sarampo e queremos convidar todas as crianças para participarem.”
RECONHECIMENTO NACIONAL E INTERESSE DE OUTROS MUNICÍPIOS
Além da premiação nacional, a experiência desenvolvida em Ponta Grossa já começa a servir de referência para outras cidades.
“Depois que apresentamos o projeto, várias cidades nos procuraram para implantá-lo também. Eu acredito que esse alcance não é só para Ponta Grossa, mas para outros municípios e até outros estados.”
A enfermeira também aproveitou a entrevista para reforçar o combate à desinformação sobre vacinas.
“Peço que as pessoas não acreditem em notícias falsas. Procurem um profissional de saúde, se vacinem. A vacina é segura e muito importante não só para cada pessoa, mas para toda a população.”
LEGADO PARA O FUTURO
Outro diferencial da iniciativa é que ela deixou de ser apenas um projeto e passou a integrar as políticas públicas permanentes do município. A criação de uma lei municipal institucionalizou a Capicina como ferramenta oficial de educação em saúde, garantindo a continuidade das ações independentemente das futuras gestões.
Para Jéssica, o maior prêmio conquistado não foi o reconhecimento nacional, mas os resultados obtidos junto à população.
“O maior resultado não é ganhar um concurso. É saber que nossas crianças estão sendo vacinadas, que aumentamos a cobertura vacinal e que deixamos um legado para que sempre se fale sobre vacinação segura.”
CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
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