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Política

Ampliação de escolas cívico-militares no Paraná é inconstitucional, aponta deputada

Deputada Ana Júlia critica projeto que amplia escolas cívico-militares no Paraná e alerta para inconstitucionalidade e riscos pedagógicos.

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Crédito: Divulgação/Alep
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A deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT) manifestou oposição ao Projeto de Lei 364/2025, que amplia o modelo de escolas cívico-militares no Paraná, incluindo unidades de tempo integral. A proposta, apresentada pelo deputado Ricardo Arruda, foi aprovada nesta terça-feira (30) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa, apesar dos votos contrários da Oposição.

Segundo a parlamentar, o projeto apresenta vício de iniciativa e gera insegurança jurídica, já que a Lei Estadual nº 21.327/2022, que instituiu o modelo cívico-militar no Estado, está sob análise do Supremo Tribunal Federal (ADI 6791), com parecer da Advocacia-Geral da União reconhecendo inconstitucionalidades.

“A LDB não prevê o modelo cívico-militar como modalidade de ensino. Ao contrário, garante uma educação baseada na gestão democrática, no pluralismo de ideias e na valorização dos profissionais da educação. Militarizar escolas significa ferir esses princípios constitucionais e pedagógicos”, afirmou Ana Júlia.

Ela destacou que a Constituição estabelece competência concorrente em matéria de educação, mas cabe à União definir as normas gerais. Dessa forma, a criação do modelo por meio de lei estadual representaria usurpação da competência federal.

A deputada também alertou para os impactos na rede de tempo integral, que conta atualmente com 412 colégios no Paraná. “Estamos falando de um modelo que está em expansão e que precisa ser fortalecido em sua identidade pedagógica. Submeter essas escolas à lógica militarizada significa colocar em risco a autonomia das comunidades escolares e o futuro da política de ensino integral no Estado”, completou.

Críticas à Seed

Ana Júlia denunciou que a Secretaria de Estado da Educação já estaria implementando a militarização em escolas de Curitiba antes mesmo da aprovação do projeto, citando o Colégio Domingos Zardo (São Lourenço), Colégio Loureiro Fernandes e Colégio Guido Straube.

A parlamentar também relembrou denúncias de truculência, abusos de autoridade e até casos de assédio, abuso sexual e tortura em colégios cívico-militares. Em julho, ela apresentou um requerimento sobre denúncias de tortura em uma escola da Lapa, ainda sem resposta da Seed e da Polícia Militar.

“Não se pode ampliar um modelo que, além de inconstitucional, já apresenta graves denúncias sem nenhuma apuração. O governo precisa ouvir as comunidades escolares, respeitar a legislação federal e garantir a gestão democrática, que é um dos pilares da educação brasileira”, reforçou.

A ampliação das escolas cívico-militares está em debate desde a criação da Lei Estadual nº 21.327/2022. A proposta aprovada na CCJ ainda precisa tramitar em outras comissões antes de ir a plenário.

*Com informações da Assessoria de Imprensa

Vinicius Sampaio
Autoria
Vinicius Sampaio
Sou formado em Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Sou repórter do jornal Boca no Trombone, responsável por policial, esportes e política. Facilidade em comunicação visual, textual e verbal. Possuo conhecimento e um apreço especial por jornalismo de dados.
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