Estranhei o cheiro artificial. Parecia uva, mas não era. Apenas uma fórmula química que alguém extraiu, engarrafou. Pelo mundo espalhou a uva falsa que chegou a mim. Não houve como resistir, também não sou perfeitinha, tantas coisas mudaram o que sou. Sou feito uma bala de uva, que reconheci ser ruim, mas irresistível. Gruda nas mãos, nas pontas dos dedos e minha doçura também é discutível. Agora esta bala me chega, ameaça pesar no estômago, uma bomba química. É pequena não faz muito estrago, como eu. O cheiro ainda me intriga, e faz querer enfiar logo na boca e depois dela outra, outra e outra. Comprada a granel, coisa sem- vergonha, tão desprezível que se adquire por quilo ou por grama. Ainda assim, valendo nada, é irresistível… Tinge toda a boca, igual a um picolé barato e por dentro estou manchada de uva. Minhas entranhas estão impregnadas com a uva artificial. Talvez, alguma porção de mim ainda se salve, ainda que todo o resto na uva falsa pretenda se acabar…
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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