A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) para apurar o processo de terceirização do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) e a atuação da empresa Clinicão decidiu apresentar um relatório parcial com recomendações ao Poder Executivo. Entre os apontamentos está a sugestão para revogação do contrato firmado com a empresa.
A decisão foi tomada nesta segunda-feira (1º) pelos integrantes da Comissão. Segundo a presidente da CPI, vereadora Teka dos Animais (União Brasil), a antecipação de um relatório parcial ocorre em razão das denúncias recebidas e dos elementos levantados durante as investigações realizadas até o momento.
“Tomei essa iniciativa diante das denúncias que recebemos e das informações que obtivemos através das investigações até aqui. Não podemos permitir que os animais continuem sofrendo e sem receber o atendimento adequado, então faremos algumas recomendações ao Executivo para que a situação atual seja revista, garantindo maior qualidade nos serviços ligados à saúde animal”, afirmou Teka.
A relatora da CPI, vereadora Joce Canto (PP), também defendeu a necessidade de apresentar encaminhamentos antes da conclusão final dos trabalhos da Comissão.
“O momento é de urgência. A gente sabe de todas as denúncias, de todos os acontecimentos relacionados à parte operacional da Clinicão aqui em Ponta Grossa, então precisamos agir com rapidez. Por isso, decidimos elaborar um relatório parcial, que será entregue à imprensa e à população”, destacou.
Coletiva
O documento parcial da CPI será divulgado nesta quarta-feira (3), após a sessão ordinária da Câmara Municipal de Ponta Grossa. A apresentação será realizada no plenário da Casa de Leis.
Durante a coletiva de imprensa, os vereadores integrantes da Comissão devem fazer a leitura das recomendações presentes no relatório e explicar os próximos encaminhamentos relacionados à investigação.
Clinicão afirma surpresa
Após a divulgação da recomendação de revogação contratual, a Clinicão CRAR emitiu uma nota de esclarecimento afirmando ter recebido a informação “com surpresa”.
Segundo a empresa, até o momento ela não teria sido convocada pela CPI para prestar depoimento, apresentar documentos ou fornecer esclarecimentos técnicos sobre os pontos investigados.
“A surpresa decorre de um fato simples e objetivo: até o presente momento, a empresa não foi convocada para prestar depoimento, apresentar esclarecimentos técnicos ou exercer seu direito de manifestação perante a Comissão”, afirmou em nota.
A Clinicão declarou ainda considerar incompatível a apresentação de recomendações antes da manifestação da principal parte envolvida no processo.
“Nenhuma apuração comprometida com a verdade dos fatos pode prescindir do contraditório, da ampla defesa e da análise integral das informações disponíveis”, destacou.
A empresa informou que, até agora, tem acompanhado os encaminhamentos da CPI por meio da imprensa e declarações públicas, afirmando que não recebeu questionamentos formais da Comissão.
Ainda conforme a nota, a Clinicão CRAR afirma manter uma postura de transparência junto ao Poder Público e aos órgãos competentes, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações e apresentar documentos e informações técnicas.
A empresa reforçou que confia que as avaliações sobre sua atuação serão realizadas com base em fatos, evidências e manifestação de todas as partes envolvidas. (Com assessoria)
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