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Política

Massacre de 2015 no Centro Cívico completa 10 anos: “O ataque à educação continua”, diz deputada Ana Júlia

Em meio às lembranças do confronto que feriu mais de 200 professores em 2015, deputada Ana Júlia Ribeiro denuncia continuidade do desmonte da educação pública no Paraná.

Ana Júlia destacou nesta terça-feira dia 29 de abril os dez anos do Massacre do Centro Cívico
Foto: Alep/Divulgação
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O massacre ocorrido no Centro Cívico de Curitiba em 2015 completa nesta terça-feira (29) uma década. Considerado um dos episódios mais tristes da história da educação no Paraná, o confronto entre forças policiais e servidores públicos deixou mais de 200 pessoas feridas — em sua maioria professores — durante uma manifestação contra a reforma da previdência proposta pelo então governador Beto Richa (PSDB).

Para a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro (PT), o ataque à educação pública não ficou restrito ao passado. “Hoje é um dia triste para a educação paranaense. O massacre físico pode ter ficado no passado, mas o massacre simbólico e estrutural continua”, afirmou. A parlamentar critica a atual gestão estadual, comandada por Ratinho Junior (PSD), acusando o governo de enfraquecer deliberadamente a escola pública.

Segundo Ana Júlia, a democracia nas escolas foi comprometida. “Mal se tem mais eleições para diretores, e cresce o número de interventores indicados politicamente”, denunciou. Ela também destacou o desconto salarial em dias de paralisação, a imposição de plataformas digitais classificadas como ineficientes e a militarização crescente nas unidades de ensino como sinais do desmonte do ambiente escolar.

A deputada ressaltou ainda que o projeto de privatização da educação no estado foi aprovado de forma “atropelada”, sem debate adequado nas comissões da Assembleia Legislativa. “Mesmo com mais de 90% da comunidade escolar rejeitando a proposta, o governo implementou o modelo em 82 unidades. Conseguimos conter um avanço ainda maior, mas as ameaças continuam”, afirmou.

Ana Júlia também associou a política educacional do Paraná a experiências semelhantes em outros estados. “O Paraná serviu de laboratório para São Paulo, onde hoje o ex-secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, está à frente da pasta. É um projeto ideológico de desmonte da educação pública, que também avança em Minas Gerais”, alertou.

 

A parlamentar finalizou reforçando a necessidade de mobilização permanente em defesa da escola pública. “É o bem mais valioso que uma sociedade pode ter. A escola pública não se vende, ela se defende todos os dias.” A data também marca a semana do Dia Mundial da Educação, o que, segundo Ana Júlia, amplia o simbolismo e a urgência do debate sobre os rumos do ensino público, inclusivo e emancipador no país.

Leia também: Testemunho de uma violência (governista) contra professores no Paraná

Boca no Trombone
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