A qualidade da água em Ponta Grossa voltou ao centro das discussões públicas nesta sexta-feira (13), após reunião conjunta entre a Câmara Municipal de Ponta Grossa, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA), a Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG) e o Conselho Municipal de Saneamento Básico (CMSB). O encontro definiu a elaboração de um documento oficial que será encaminhado à Sanepar, cobrando providências imediatas, prazos e maior transparência.
Segundo os participantes, o problema envolve o assoreamento e a proliferação de algas na Represa de Alagados, situação que tende a se agravar em períodos de calor e baixa profundidade do reservatório. Entre as propostas discutidas estão a aceleração da captação do Rio Tibagi, modernização da Estação de Tratamento de Água (ETA), diversificação de mananciais e ações de recuperação ambiental.
Críticas à fiscalização da concessão
Durante os debates, o vereador Guilherme Mazer (PT) afirmou que o município mantém a concessão com a Sanepar, mas não estaria exercendo fiscalização efetiva do contrato. Segundo ele, moradores relatam água com odor desagradável nas torneiras.
O parlamentar destacou que, embora a Agência Reguladora do Paraná (AGPAR) atue em processos regulatórios, ainda há dúvidas sobre os limites de responsabilidade entre o órgão regulador e o poder municipal — questão que teria ficado evidente durante a CPI que analisou o tema.
Para Mazer, diante dessa indefinição, o Executivo deveria priorizar o interesse público e intensificar a fiscalização. Ele também relacionou o cenário ao nível da Represa de Alagados, defendendo que o planejamento urbano precisa considerar as áreas de recarga hídrica.
Planejamento urbano e risco futuro
O vereador criticou a expansão do perímetro urbano em áreas próximas às nascentes que abastecem o Alagados e à captação do Rio Pitangui, alertando que a impermeabilização do solo pode comprometer ainda mais o nível do reservatório.
Outro ponto levantado envolve o avanço da cidade em direção à região leste, onde há áreas de conservação e recarga do Aquífero Guarani. Segundo ele, decisões tomadas hoje podem gerar impactos mais graves nas próximas décadas, especialmente para atividades que dependem de poços subterrâneos.
O presidente da Câmara, Julio Kuller (MDB), reforçou que a união das instituições busca soluções concretas. O documento conjunto será enviado à Sanepar nos próximos dias e divulgado publicamente.
Para as entidades, o debate sobre a qualidade da água em Ponta Grossa precisa integrar fiscalização, planejamento urbano e preservação ambiental, garantindo segurança hídrica a longo prazo para a população.
Leia mais
Gosto da água em PG gera notificações da Prefeitura e cobrança formal da Câmara à Sanepar


















