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BR-277 tem maior quantidade de acidentes entre as rodovias do Paraná, diz balanço da PRF

Imagem: PRF
Balanço da PRF aponta estabilidade em relação a anos anteriores. Pedestres, motociclistas e ciclistas concentram 40% das mortes em sinistros de trânsito

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou nesta terça-feira (23) o balanço de sinistros de trânsito nas rodovias federais no Paraná em 2023, apresentando dados de sinistros, fiscalização e educação para o trânsito.

Os números extraídos dos sinistros registrados pela PRF mostram que 223 pessoas que morreram em sinistros de trânsito eram pedestres ou ocupavam motocicletas, motonetas ou bicicletas. Esse número equivale a 40% do total de mortos nas rodovias do estado no ano. As colisões frontais mataram 151 pessoas no estado (27% do total de mortes), mesmo sendo o tipo de apenas 6% dos sinistros. Este tipo de colisão é causado predominantemente por dois fatores: ultrapassagens proibidas ou malsucedidas e excesso de velocidade.

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Para combater esse tipo de colisão, a PRF tem reforçado a fiscalização de todos os tipos de ultrapassagens indevidas – proibidas ou forçadas – e aumentado a fiscalização de velocidade com o uso de radares portáteis. Em 2023, a instituição realizou mais de 20 mil autuações por infrações de ultrapassagem, 13,4% a mais do que em 2022. Quanto à velocidade, aumentou em 96% a quantidade de horas de operações com radares, chegando a 5.398 horas de fiscalização, com 189 mil flagrantes de excesso de velocidade.

Sinistro de trânsito

A palavra “sinistros” substitui “acidentes” após atualização da nomenclatura pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) da NBR 10697, em 2020, com adoção pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no ano passado. A mudança considera fatores técnicos e busca também uma mudança de percepção, pois a expressão “acidentes” passaria uma sensação de acontecimentos inevitáveis e imprevisíveis. O termo “sinistro”, além de mais correto tecnicamente, pretende deixar claro que colisões, atropelamentos, tombamentos e diversos outros sinistros podem ser evitados, assim como as mortes e lesões decorrentes destes.

Em 2023, nas rodovias federais do Paraná, foram contabilizados 6.827 sinistros de trânsito, que provocaram a perda de 559 vidas. Os números são menores do que em 2022, quando 568 pessoas morreram em 7.113 sinistros. Dos sinistros de 2023, 1.929 foram considerados graves – quando ocorre lesão grave ou morte de pelo menos um dos envolvidos.

Mais da metade das mortes (58%) ocorreu em trechos de rodovias não duplicadas, a chamada pista simples. Este tipo de configuração de via exige cuidado redobrado dos condutores, pois a ocorrência de sinistros costuma ser com interação entre veículos que circulam em sentido contrário, amplificando a energia da colisão.

A PRF registra sinistros que tenham reflexos além de simples danos patrimoniais, notadamente os sinistros que causem lesões em pessoas, danos ao meio ambiente, vazamento de produto perigoso ou os sinistros que tenham outros possíveis reflexos jurídicos, como quando um dos condutores está alcoolizado ou é inabilitado.

Caminhões

Chama atenção nos dados o aumento de 15% de óbitos em sinistros envolvendo caminhões – 252 mortos em 2022 e 291 em 2023. O aumento de mortes acompanha o aumento de outros números de sinistralidade em caminhões, incluindo a quantidade de acidentes classificados como graves. A PRF também observou um aumento nos números de óbitos em sinistros que envolveram caminhões com problemas mecânicos: 25% mais óbitos em acidentes com esse registro.

Quase 150 mil veículos de carga foram fiscalizados pela PRF no Paraná em 2023, um aumento de 4,6% comparado com o ano anterior, equivalente a mais de 400 fiscalizações por dia. Do total de veículos fiscalizados, a fiscalização de veículos de carga atinge 43%. As fiscalizações são realizadas no dia a dia dos policiais rodoviários federais, bem como em iniciativas específicas, como a Operação Serra Segura, realizada regularmente com o foco na fiscalização das condições mecânicas dos veículos de carga, com apoio de mecânicos.

Como a solução deste problema precisa da ação de toda a sociedade, incluindo empresas de transporte de cargas e motoristas, a PRF no Paraná ainda buscou discutir e sensibilizar outras entidades para o problema, recebendo em sua superintendência um seminário de prevenção a sinistros com caminhões.

Perfil de acidentes

O segundo tipo de sinistro que mais causou mortes em 2023 no Paraná foi o atropelamento de pedestres: 90 pessoas perderam a vida. O período da noite, incluindo os momentos de baixa luminosidade em amanhecer e anoitecer, concentrou 75% das mortes neste tipo de sinistro. Mortes em razão da ausência de luz natural podem ser evitadas principalmente com comportamento preventivo por parte de motoristas e pedestres.

Os pedestres, nas rodovias, devem caminhar no sentido contrário ao fluxo de veículos, atravessar a via nas passarelas, quando disponíveis, e à noite, buscar utilizar roupas claras e uma lanterna para se tornarem mais visíveis. Isso tudo sem esquecer do mais importante: estar atento ao acessar a rodovia para a presença de veículos.

Já os motoristas, legalmente responsáveis pela segurança de pedestres, como previsto no CTB, devem realizar a manutenção de seus veículos, com atenção ao funcionamento dos faróis e respeitar as regras de trânsito, principalmente reduzindo a velocidade do veículo ao se aproximar de locais de travessia de pedestres e em locais de visibilidade reduzida. Os pedestres compõem ainda outro grupo de atenção, pela fragilidade frente aos demais veículos: 40% dos mortos em sinistros de trânsito eram pedestres ou ocupavam motocicletas, motonetas ou bicicletas.

A condição da pista de rolamento é um fator que pode ter relevância secundária frente ao comportamento dos usuários das rodovias. O que corrobora esta informação é o fato de que 77% dos sinistros e 80% das mortes ocorreram com a pista seca e sem outras adversidades. Quanto ao trecho, os locais com pista simples concentram 60% dos registros de óbitos.

Das rodovias federais do estado, a BR-277, que conta com aproximadamente 720 quilômetros de extensão no Paraná, detém a maior quantidade de sinistros – 1915 registros – e de mortos – 179 registros. A principal justificativa para ocupar esta posição deve-se à extensão e ao grande fluxo. O segundo lugar, fica com a BR-376, com 627 sinistros, e o terceiro com a BR-116, com 219 sinistros.

Perfil dos mortos

Homens jovens foram as maiores vítimas de sinistros de trânsito no Paraná em 2023: 80% dos mortos eram do sexo masculino e a faixa etária que mais morreu foi a entre 20 e 30 anos (20,7% dos óbitos). A faixa etária é seguida de perto pela de 40 aos 50 anos (20%).


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