Governo lança programa “Aqui é Brasil” para acolher brasileiros deportados dos EUA

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Lincoln Vargas
Lincoln Vargas
Jornalista pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, trabalho em diversas frentes da área jornalística, mas com uma paixão especial pelo mundo do esporte. Além de fazer parte da redação do Portal BNT, também atuo como repórter setorista do Operário Ferroviário e repórter freelancer.
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O governo federal lançou nesta quarta-feira (6) o programa Aqui é Brasil, uma resposta humanitária à crescente deportação e repatriação forçada de brasileiros no exterior, com foco nos recentes casos registrados nos Estados Unidos sob a gestão do ex-presidente Donald Trump.

Coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o programa tem como objetivo oferecer acolhimento, assistência e reintegração a brasileiros em situação de vulnerabilidade migratória, desde o momento do desembarque até sua reinserção social e econômica.

Ações emergenciais e reintegração

O Aqui é Brasil oferece suporte psicossocial, abrigo, alimentação, transporte, cuidados de saúde e regularização documental para os repatriados. A articulação envolve diversos ministérios, como os das Relações Exteriores, Saúde, Justiça, Desenvolvimento Social e Trabalho.

Durante o lançamento, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, destacou a importância de garantir acesso ao mercado de trabalho, à educação e à cidadania plena para os repatriados e seus familiares.

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“Estamos em negociação com o Conselho Nacional de Educação e com o Ministério da Educação para garantir o acolhimento das crianças. Também vamos assinar uma portaria sobre inserção no mundo do trabalho”, afirmou a ministra.

Quatro eixos de atuação

O programa está estruturado em quatro eixos estratégicos para garantir acolhimento e inclusão:

  1. Acolhimento humanizado nos aeroportos, com triagem e apoio emergencial;

  2. Reintegração social e econômica, com foco em trabalho, documentação e reunificação familiar;

  3. Fortalecimento da governança migratória, por meio de dados e políticas baseadas em evidências;

  4. Promoção de parcerias multissetoriais, com a participação de governos, setor privado, sociedade civil e organismos internacionais, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O programa terá duração inicial de 12 meses e conta com R$ 15 milhões em recursos, por meio de termo firmado com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Perfil dos repatriados: jovens, trabalhadores e em vulnerabilidade

Desde fevereiro de 2025, o Brasil recebeu 1.223 brasileiros repatriados, a maioria dos quais deportados dos EUA. Segundo dados do MDHC, 77,6% são homens, com predominância da faixa etária entre 18 e 39 anos; 89% chegaram sozinhos, sem familiares; Após o retorno, 61,39% foram acolhidos por parentes; Os principais destinos foram Minas Gerais, Rondônia, São Paulo, Goiás e Espírito Santo; 74,2% pretendem trabalhar no Brasil, e quase 54% têm ensino médio completo ou incompleto.

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Condições de vida nos EUA e laços familiares

A maioria dos repatriados viveu em estados como Massachusetts, Texas, Flórida e Nova Jersey, onde há concentração de comunidades brasileiras. Os dados revelam ainda que 81,53% trabalhavam em jornadas acima de 8 horas por dia, frequentemente em condições precárias; 35,67% não deixaram parentes nos EUA, enquanto 14,88% deixaram cinco ou mais familiares no país.

Política migratória e desafios futuros

O endurecimento das políticas migratórias norte-americanas tem provocado aumento no número de deportações de brasileiros, acentuando a necessidade de ações de acolhimento humanitário coordenado.

Com o programa Aqui é Brasil, o governo pretende transformar o retorno forçado em uma oportunidade de reinício com dignidade, apoio social e acesso a direitos fundamentais, enfrentando não apenas os efeitos da migração forçada, mas também suas causas estruturais.

*Com informações da Agência Brasil

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